Escarlatina: Diagnóstico, Tratamento e Prevenção de Complicações

CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2015

Enunciado

Menina de 5 anos, apresentava febre há 3 dias, odinofagia, aspecto da língua "em framboesa", exantema macular em tronco, com textura áspera da pele, e palidez perioral. No terceiro dia de febre recebeu tratamento com penicilina benzatina, Após um dia a febre cedeu, mas iniciou descamação tipo lamelar em extremidades dos dedos. Sobre este caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Esta doença, se não for adequadamente tratada, associa-se a complicações como febre reumática e glomerulonefrite aguda.
  2. B) A descamação lamelar é atípica no curso desta doença e está mais provavelmente relacionada à alergia a penicilina do tipo eritema multiforme.
  3. C) A penicilina benzatina não foi corretamente indicada para este caso, pois seu espectro de ação limita-se a bactérias Gram negativas.
  4. D) A estreptococcia é causa dos sintomas desta paciente e o diagnóstico é facilmente confirmado por hemocultura, positiva na maioria dos casos.
  5. E) O principal mecanismo de resistência bacteriana à penicilina é a modificação enzimática, de modo que o antibiótico perde sua capacidade de inibir a síntese protéica bacteriana.

Pérola Clínica

Escarlatina (S. pyogenes) → tratar com penicilina benzatina para prevenir febre reumática e GNDA.

Resumo-Chave

O quadro clínico (febre, odinofagia, língua em framboesa, exantema áspero, palidez perioral, descamação lamelar) é clássico de escarlatina, causada por Streptococcus pyogenes. O tratamento com penicilina benzatina é crucial para prevenir complicações graves como febre reumática e glomerulonefrite pós-estreptocócica.

Contexto Educacional

A escarlatina é uma doença infecciosa aguda causada por cepas toxinogênicas do Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do Grupo A - EBHGA). É mais comum em crianças em idade escolar e se manifesta com um quadro clínico característico: febre alta, odinofagia, cefaleia e um exantema eritematoso difuso com textura áspera ('pele em lixa'), que geralmente poupa a região perioral (palidez perioral). Outros sinais incluem a língua em framboesa ou em morango e, na fase de recuperação, descamação lamelar, principalmente nas extremidades. O diagnóstico da escarlatina é primariamente clínico, mas pode ser confirmado por testes rápidos para EBHGA ou cultura de orofaringe. O tratamento é crucial e deve ser iniciado prontamente com antibióticos, sendo a penicilina benzatina a escolha de primeira linha, devido à sua eficácia contra o EBHGA e à ausência de resistência significativa a este antibiótico. A penicilina atua inibindo a síntese da parede celular bacteriana, e não a síntese proteica. A principal razão para o tratamento antibiótico da escarlatina é a prevenção de complicações não supurativas graves, como a febre reumática aguda, que pode levar a danos cardíacos permanentes, e a glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocócica, uma doença renal. A alternativa C está incorreta, pois a penicilina benzatina tem excelente espectro contra Gram-positivos como o EBHGA. A alternativa D está incorreta porque a hemocultura raramente é positiva na faringite estreptocócica ou escarlatina. A alternativa E descreve um mecanismo de resistência (modificação enzimática) que pode ocorrer, mas o mecanismo de ação da penicilina é inibir a síntese da parede celular, não a síntese proteica. A descamação lamelar é um achado típico da fase de recuperação da escarlatina, tornando a alternativa B incorreta.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas característicos da escarlatina?

Febre, odinofagia, exantema macular áspero (pele em lixa), palidez perioral, língua em framboesa e descamação lamelar tardia, especialmente nas extremidades.

Por que o tratamento da escarlatina com penicilina é tão importante?

O tratamento com penicilina benzatina é essencial para erradicar o Streptococcus pyogenes e, principalmente, prevenir a febre reumática, uma complicação autoimune grave. Também pode reduzir o risco de glomerulonefrite aguda.

Quais são as principais complicações da escarlatina não tratada?

As complicações mais temidas são a febre reumática, que pode afetar coração, articulações e sistema nervoso, e a glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocócica, que afeta os rins.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo