TCE Pediátrico: Avaliação Neurológica e Manejo da Via Aérea

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025

Enunciado

Menino de 8 anos é trazido ao pronto-atendimento pelo SAMU após atropelamento com arremesso de cerca de 10 metros. Perdeu a consciência imediatamente, mas mantinha respiração espontânea. No exame físico, apresenta: FC 140 bpm, FR 33 irpm, tempo de enchimento capilar (TEC) de 3 segundos. Cabeça com contusão em região frontal. No exame neurológico, balbucia sons incompreensíveis, localiza a dor, mas não abre os olhos aos estímulos dolorosos. Membros com deformidade na coxa direita. Qual a classificação do comprometimento neurológico e a conduta em relação à via aérea?

Alternativas

  1. A) ECG 6; máscara laríngea
  2. B) ECG 8; intubação traqueal
  3. C) ECG 9; cateter de oxigênio a 5 L/min
  4. D) ECG 11; máscara de oxigênio não reinalante

Pérola Clínica

TCE pediátrico grave (ECG < 9) + instabilidade hemodinâmica → Intubação orotraqueal e suporte avançado.

Resumo-Chave

A avaliação do trauma pediátrico segue os princípios do ATLS, com atenção especial à via aérea e ao estado neurológico. Um ECG < 9 em crianças com TCE indica lesão grave e a necessidade de intubação para proteção da via aérea e otimização da oxigenação e ventilação, especialmente na presença de sinais de choque.

Contexto Educacional

O traumatismo cranioencefálico (TCE) em pediatria é uma das principais causas de morbimortalidade, exigindo uma abordagem rápida e sistemática. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização da via aérea, respiração e circulação. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) pediátrica é uma ferramenta crucial para quantificar o nível de consciência e monitorar a evolução neurológica, sendo adaptada para considerar as particularidades do desenvolvimento infantil. No caso de um TCE grave, definido por uma ECG < 9, a proteção da via aérea torna-se prioritária. O rebaixamento do nível de consciência aumenta o risco de obstrução da via aérea pela língua, aspiração de conteúdo gástrico e hipoventilação, levando à hipóxia e hipercapnia, que são deletérias para o cérebro lesionado. A intubação orotraqueal precoce permite assegurar a permeabilidade da via aérea, otimizar a oxigenação e ventilação, e controlar a pressão intracraniana. Além do TCE, a presença de sinais de choque (taquicardia, taquipneia, TEC prolongado) indica instabilidade hemodinâmica, que no trauma pediátrico é frequentemente de origem hipovolêmica (hemorragia). O manejo do choque é fundamental para garantir a perfusão cerebral e sistêmica, prevenindo lesões secundárias. A combinação de TCE grave e choque exige uma abordagem agressiva e multidisciplinar para otimizar o prognóstico do paciente pediátrico.

Perguntas Frequentes

Como calcular a Escala de Coma de Glasgow em crianças?

A ECG pediátrica adapta os critérios de resposta verbal para a idade, considerando sons incompreensíveis (2 pontos), choro persistente (3 pontos), palavras inapropriadas (3 pontos) e palavras apropriadas (4 pontos), além de respostas motoras e oculares.

Quando indicar a intubação orotraqueal em um paciente pediátrico com TCE?

A intubação orotraqueal é indicada em TCE pediátrico com ECG < 9, sinais de insuficiência respiratória, hipoxemia, hipercapnia, ou para proteção da via aérea em pacientes com rebaixamento do nível de consciência e risco de aspiração.

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em crianças e como eles se relacionam com o TCE?

Sinais de choque hipovolêmico em crianças incluem taquicardia, taquipneia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos diminuídos e hipotensão (sinal tardio). No trauma, o choque pode agravar a lesão cerebral secundária e deve ser tratado agressivamente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo