Trauma Pediátrico: Avaliação do Nível de Consciência e Via Aérea

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Menor de 17 anos, sexo masculino, vítima de atropelamento, trazido pelo por familiares na seguinte condição clínica: Não responsivo, abre olhos ao estímulo doloroso, emite sons incompreensíveis, extensão dos membros ao estímulo doloroso, FC 130bpm, PA 90x50mmHg, MV abolido em HTE, múltiplas escoriações pelo corpo.Sobre o caso em questão é CORRETO afirmar que

Alternativas

  1. A) o paciente em questão tem indicação de via área definitiva.
  2. B) a primeira medida a ser tomada é a drenagem do tórax.
  3. C) por se tratar de choque grau III estima-se a perda de 50% da volemia.
  4. D) é necessário realizar expansão volêmica do paciente para avaliar corretamente o grau de comprometimento neurológico.
  5. E) a imobilização cervical não é necessária nesse caso.

Pérola Clínica

Trauma pediátrico com GCS ≤ 8-9 → indicação de via aérea definitiva para proteção e ventilação.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um trauma grave com rebaixamento do nível de consciência (GCS 6: E2V2M2), indicando a necessidade de uma via aérea definitiva para proteger as vias aéreas, garantir ventilação adequada e prevenir aspiração. A presença de MV abolido em HTE sugere pneumotórax hipertensivo, uma condição que também requer atenção imediata após a estabilização da via aérea.

Contexto Educacional

O manejo do trauma pediátrico segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), com prioridade para a avaliação primária (ABCDE). A avaliação do nível de consciência, frequentemente realizada pela Escala de Coma de Glasgow (GCS), é um pilar fundamental para identificar pacientes com risco de comprometimento neurológico grave e necessidade de intervenções imediatas. No caso apresentado, o paciente exibe um GCS de 6 (E2V2M2), que é um indicativo claro de trauma cranioencefálico grave. Um GCS ≤ 8-9 é a principal indicação para o estabelecimento de uma via aérea definitiva, geralmente por intubação orotraqueal. Isso garante a proteção das vias aéreas contra aspiração, otimiza a ventilação e oxigenação, e permite o controle da pressão intracraniana. Outros achados, como a taquicardia (FC 130bpm) e hipotensão (PA 90x50mmHg), sugerem choque hipovolêmico, enquanto o murmúrio vesicular abolido em hemitórax esquerdo (HTE) é altamente sugestivo de pneumotórax hipertensivo ou hemotórax maciço, condições que também exigem manejo rápido após a estabilização da via aérea. A sequência de atendimento no trauma é crítica, e a prioridade da via aérea é inegociável em pacientes com rebaixamento do nível de consciência.

Perguntas Frequentes

Como a Escala de Coma de Glasgow é aplicada em pacientes pediátricos com trauma?

A GCS avalia a abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. Em crianças, a resposta verbal pode ser adaptada (ex: sons incompreensíveis, choro). Um GCS ≤ 8-9 geralmente indica a necessidade de via aérea definitiva devido ao risco de aspiração e hipoventilação.

Quais são as principais indicações para uma via aérea definitiva em um paciente traumatizado?

As indicações incluem GCS ≤ 8-9, incapacidade de manter a via aérea pérvia, risco de aspiração, insuficiência respiratória progressiva, lesão maxilofacial grave ou lesão de via aérea superior, e necessidade de ventilação prolongada.

Qual a importância da imobilização cervical em pacientes com trauma?

A imobilização cervical é crucial em todos os pacientes com trauma multissistêmico ou trauma acima da clavícula até que uma lesão da coluna cervical seja descartada. Isso previne lesões medulares secundárias e agravamento de lesões existentes.

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