Glasgow 7 no Trauma: Indicação de Intubação Orotraqueal

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2016

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 23 anos, vítima de acidente automobilístico, quando pilotava sua moto sem uso de capacete e colidiu frontalmente com um carro. Foi admitida em serviço de emergência conduzida por transeuntes. À avaliação inicial, apresentava respiração espontânea com saturação de O2 de 90%; frequência respiratória de 24 irpm; frequência cardíaca de 112 bpm; PA de 90 x 60 mmHg; com resposta motora de extensão ao estímulo álgico; resposta verbal com sons incompreensíveis e abertura ocular ao comando verbal, além de apresentar fratura exposta em fêmur direito e de zigomáticos, bilateralmente. A pontuação na escala de coma de Glasgow e a melhor conduta inicial para essa paciente correspondem ao item: 

Alternativas

  1. A) Glasgow 7 – Intubação orotraqueal. 
  2. B) Glasgow 8 – Ressuscitação volêmica. 
  3. C) Glasgow 9 – Colocação de colar cervical. 
  4. D) Glasgow 10 – Realização de TC de crânio. 

Pérola Clínica

Glasgow ≤ 8 ou via aérea comprometida → Intubação Orotraqueal (IOT) imediata no trauma.

Resumo-Chave

A pontuação na Escala de Coma de Glasgow (ECG) é crucial na avaliação inicial do trauma. Um Glasgow ≤ 8 indica trauma cranioencefálico grave e é uma forte indicação para intubação orotraqueal, visando proteger a via aérea e garantir oxigenação e ventilação adequadas.

Contexto Educacional

A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), com prioridade para a estabilização da via aérea, respiração e circulação. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é uma ferramenta crucial para avaliar o nível de consciência e a gravidade do trauma cranioencefálico (TCE). Ela pontua a abertura ocular, resposta verbal e resposta motora, com um escore total que varia de 3 a 15. Um Glasgow de 8 ou menos é classicamente definido como TCE grave e é uma indicação primária para intubação orotraqueal. No caso apresentado, a paciente tem abertura ocular ao comando verbal (3 pontos), sons incompreensíveis (2 pontos) e resposta motora de extensão (2 pontos), totalizando um Glasgow de 7. Este escore, associado à saturação de oxigênio de 90% e à hipotensão, indica um paciente grave com alto risco de comprometimento da via aérea e hipóxia cerebral. A intubação orotraqueal é a conduta mais urgente e prioritária para proteger a via aérea, garantir oxigenação e ventilação adequadas, e controlar a PCO2, que é vital para o manejo da pressão intracraniana em TCE. Embora a paciente também apresente hipotensão (PA 90x60 mmHg) e fraturas graves, a prioridade no trauma é sempre a via aérea. A ressuscitação volêmica é importante para corrigir a hipotensão, mas deve ser realizada após ou concomitantemente à intubação, se a via aérea estiver comprometida. A colocação de colar cervical é parte da imobilização da coluna cervical, que deve ser feita precocemente, mas não substitui a intubação. A TC de crânio é um exame diagnóstico fundamental, mas não é uma conduta inicial de estabilização. Portanto, a intubação orotraqueal é a medida mais crítica para a sobrevida e o prognóstico neurológico da paciente.

Perguntas Frequentes

Como calcular a Escala de Coma de Glasgow (ECG) para o paciente descrito?

Abertura ocular ao comando verbal (O3), resposta verbal com sons incompreensíveis (V2), e resposta motora de extensão ao estímulo álgico (M2). Total: O3 + V2 + M2 = 7.

Por que a intubação orotraqueal é a melhor conduta inicial para um paciente com Glasgow 7?

Um Glasgow ≤ 8 indica um trauma cranioencefálico grave e um risco elevado de comprometimento da via aérea, hipoventilação e aspiração. A intubação protege a via aérea, otimiza a oxigenação e ventilação, e permite o controle da PCO2, essencial para o manejo do TCE.

Quais são os principais pilares do manejo inicial do trauma, além da via aérea?

Após assegurar a via aérea (A), a avaliação primária do trauma (ATLS) segue com B (respiração e ventilação), C (circulação e controle de hemorragias), D (déficit neurológico) e E (exposição e controle do ambiente).

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