Escala de Coma de Glasgow: Avaliação no Trauma Cranioencefálico

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2019

Enunciado

Condutor de moto estava sem capacete quando sofreu um acidente. Populares o levaram até um grande hospital, onde foi diretamente encaminhado à sala de trauma. Ao exame clínico: abria os olhos ao ser chamado pelo nome, balbuciava palavras incompreensíveis e reagia localizando a dor; sinais vitais: FC = 106 bpm, PA = 100 x 80 mmHg, FR = 17 irpm; apresentava laceração em região parieto-ocipital esquerda, anisocoria, murmúrio vesicular universalmente audível sem ruídos adventícios, escoriações nos membros superiores, restante do exame físico sem alterações. Após o primeiro atendimento, foi realizada tomografia computadorizada de crânio, que evidenciou hematoma em forma de lua crescente, acompanhando a tábua e o parênquima encefálico lateralmente. Segundo a escala de Glasglow, no momento da avaliação, a classificação desse paciente deve ser de:

Alternativas

  1. A) 8
  2. B) 9
  3. C) 10
  4. D) 12

Pérola Clínica

ECG: Abertura ocular (chamado) = 3; Resposta verbal (sons incompreensíveis) = 2; Resposta motora (localiza dor) = 5. Total = 10.

Resumo-Chave

A Escala de Coma de Glasgow (ECG) avalia a consciência do paciente em três parâmetros: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. A pontuação de 10, derivada de O3V2M5, classifica o TCE como moderado, sendo crucial para guiar a conduta inicial e o prognóstico.

Contexto Educacional

O Trauma Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo, especialmente em jovens. A avaliação inicial e a classificação da gravidade do TCE são cruciais para o manejo adequado e o prognóstico do paciente. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é a ferramenta mais utilizada para avaliar o nível de consciência e a gravidade do TCE, permitindo uma comunicação padronizada entre os profissionais de saúde. A fisiopatologia do TCE envolve lesões primárias (diretas, no momento do impacto) e lesões secundárias (eventos subsequentes como isquemia, edema, hipertensão intracraniana). A anisocoria, como observada no caso, é um sinal de alerta para herniação cerebral e compressão do III nervo craniano, indicando um aumento significativo da pressão intracraniana. O hematoma subdural, em forma de lua crescente, é resultado de sangramento venoso entre a dura-máter e a aracnoide. O tratamento do TCE varia conforme a gravidade. Pacientes com TCE grave (ECG ≤ 8) ou moderado (ECG 9-12) necessitam de monitorização intensiva e manejo agressivo da pressão intracraniana. A tomografia computadorizada de crânio é essencial para identificar lesões intracranianas. A conduta pode incluir medidas de suporte, neuroproteção e, em muitos casos, intervenção neurocirúrgica para evacuação de hematomas ou descompressão.

Perguntas Frequentes

Como a Escala de Coma de Glasgow é pontuada?

A ECG pontua a abertura ocular (1-4), a melhor resposta verbal (1-5) e a melhor resposta motora (1-6). A soma dessas pontuações varia de 3 a 15, classificando o TCE em leve (13-15), moderado (9-12) ou grave (3-8).

Qual a importância da anisocoria em um paciente com TCE?

A anisocoria (diferença no tamanho das pupilas) em um paciente com TCE é um sinal de alerta para herniação cerebral e compressão do nervo oculomotor, indicando aumento da pressão intracraniana e necessidade de intervenção neurocirúrgica urgente.

Quais são os tipos de hematomas intracranianos mais comuns após TCE?

Os tipos mais comuns são o hematoma epidural (geralmente arterial, em forma biconvexa), o hematoma subdural (geralmente venoso, em forma de lua crescente) e a hemorragia intraparenquimatosa ou subaracnoidea.

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