TCE e Embriaguez: Quando Indicar Tomografia de Crânio?

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 51 anos, é trazido pelo SAMU com história de ter sido encontrado em via pública desacordado. Durante o transporte recobrou a consciência apresentando embriaguez aparente, fala incompreensível e hálito etílico. Populares referiram queda de mesmo nível. Quando dá chegada ao Hospital, o paciente encontra-se estável hemodinamicamente, agitado, com abertura ocular espontânea, falando palavras inapropriadas e obedecendo comandos de maneira aleatória. A pupila mostra-se isocórica e fotorreagente e ao exame observa-se lesão corto contusa na região frontal a esquerda, sem sangramento ativo. Em relação a este caso clínico, assinale a assertiva correta:

Alternativas

  1. A) Este paciente pode ser medicado com hidratação com solução cristaloide associado a complexo B e glicose hipertônica.
  2. B) Este paciente pode ser classificado como tendo uma lesão craniana leve por apresentar uma pontuação de 15 na Escala de Coma de Glasgow.
  3. C) O exame de imagem inicial para avaliação deste paciente é o raio-X de crânio e quando alterado, indica para a realização de uma tomografia computadorizada de crânio.
  4. D) A presença de sinais neurológicos associado a embriaguez aparente e ao leve rebaixamento da pontuação da Escala de Coma de Glasgow indicam para a avaliação através de Tomografia Computadorizada de Crânio.
  5. E) Este paciente deve ser avaliado por pelo menos 12 horas em ambiente hospitalar, em jejum, e a indicação da realização de exame complementar de imagem está na dependência do rebaixamento de pelo menos 4 pontos na Escala de Coma de Glasgow.

Pérola Clínica

Rebaixamento de consciência + Trauma + Etanol = Tomografia de Crânio imediata.

Resumo-Chave

O álcool é um fator de confusão no trauma; qualquer alteração na Escala de Glasgow (GCS < 15) em pacientes com suspeita de TCE exige investigação por imagem para excluir lesões intracranianas.

Contexto Educacional

O manejo do Traumatismo Cranioencefálico (TCE) em pacientes intoxicados por álcool representa um desafio clínico frequente. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) deve ser aplicada rigorosamente, e qualquer déficit deve ser investigado. No caso apresentado, o paciente tem ECG < 15, agitação psicomotora e lesão externa, o que preenche critérios para TC de crânio imediata. A hidratação e o uso de complexo B (prevenção de Encefalopatia de Wernicke) são importantes no manejo da intoxicação alcoólica crônica, mas a prioridade no trauma é a exclusão de lesões orgânicas cerebrais. A observação clínica isolada sem imagem em pacientes com alteração do nível de consciência pós-trauma é perigosa e contraindicada pelos principais protocolos de trauma (ATLS).

Perguntas Frequentes

Como calcular o Glasgow neste paciente?

O paciente apresenta abertura ocular espontânea (4 pontos), fala palavras inapropriadas (3 pontos) e obedece comandos de maneira aleatória (o que sugere confusão ou localização de estímulo, mas se ele não obedece prontamente e de forma consistente, a pontuação motora cai; se considerarmos que ele localiza ou obedece parcialmente, estaria entre 4 e 5). No total, o Glasgow é inferior a 15 (aproximadamente 12-13). Qualquer valor abaixo de 15 em um contexto de trauma craniano é indicativo de necessidade de investigação ou observação rigorosa.

O álcool altera a indicação de Tomografia no TCE?

Sim, a intoxicação alcoólica é considerada um fator de risco e um critério de indicação para Tomografia Computadorizada (TC) de crânio em pacientes com TCE leve (Glasgow 13-15). Isso ocorre porque o álcool mascara sinais neurológicos, dificulta o exame físico confiável e aumenta a incidência de quedas e traumas despercebidos. Protocolos como os de New Orleans e o Canadian CT Head Rule listam a intoxicação por drogas ou álcool como uma indicação clara para imagem imediata.

Por que o Raio-X de crânio não é indicado?

O Raio-X de crânio caiu em desuso na avaliação inicial do TCE agudo. Ele possui baixa sensibilidade para detectar lesões intracranianas (como hematomas epidurais, subdurais ou contusões parenquimatosas) e mesmo a ausência de fratura não exclui lesão cerebral grave. A Tomografia Computadorizada é o padrão-ouro por ser rápida, amplamente disponível e capaz de identificar lesões que necessitam de intervenção neurocirúrgica imediata.

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