INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Homem, com 23 anos de idade, mototaxista, sofre acidente motociclístico por colisão com carro em alta velocidade. Seu corpo foi lançado aproximadamente a 20m e o capacete, ejetado. Foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros com colocação de colar cervical, uso de prancha longa, imobilização e oxigenioterapia. Ao dar entrada na unidade de emergência na qual você é plantonista, 11 minutos após o acidente, apresentava-se agitado, agressivo, com saturação de oxigênio, aferida em oximetria de pulso, de 88%. O exame físico identificou murmúrio vesicular presente e roncos discretos na base de pulmão direito; pulso radial = 105 bpm; abdome sem escoriações e indolor à palpação; deformidade em coxa direita e à palpação do crânio, apresentava afundamento de aproximadamente 0,5cm, associado a ferimento corto-contuso de 5cm de extensão, em região têmporo-parietal direita. Avaliação pela escala de coma de Glasgow = 8. Pupilas fotorreagentes, sem anisocoria. Qual a conduta imediata a ser adotada para este paciente?
Glasgow ≤ 8 → Indicação formal de via aérea definitiva (Intubação Orotraqueal).
No trauma, a proteção da via aérea é prioritária em pacientes com rebaixamento do nível de consciência para prevenir hipóxia e aspiração pulmonar.
O manejo sistemático do trauma segue o ABCDE do ATLS. O 'A' (Airway) com proteção da coluna cervical é o primeiro passo. Em pacientes politraumatizados com sinais de TCE, como o afundamento de crânio e agitação descritos, a avaliação do nível de consciência é prioritária. A agitação e agressividade, associadas a uma saturação de 88%, sugerem hipóxia e/ou lesão cerebral. A confirmação de um Glasgow de 8 impõe a necessidade imediata de uma via aérea definitiva. A intubação orotraqueal é o método de escolha, preferencialmente utilizando a Sequência Rápida de Intubação (SRI) para minimizar o aumento da pressão intracraniana e o risco de aspiração.
A Escala de Coma de Glasgow (GCS) avalia o nível de consciência. Um escore de 8 ou menos define o Trauma Cranioencefálico (TCE) como grave. Nessa condição, o paciente geralmente perde os reflexos protetores das vias aéreas (tosse, deglutição), apresenta risco iminente de aspiração de conteúdo gástrico ou sangue e pode evoluir com hipoventilação central. A intubação orotraqueal garante a patência da via aérea e permite a otimização da oxigenação e ventilação, prevenindo a lesão cerebral secundária.
As indicações incluem: 1) Apneia; 2) Incapacidade de manter oxigenação adequada com máscara; 3) Proteção da via aérea contra aspiração (sangue, vômito); 4) Comprometimento iminente da via aérea (lesão inalatória, fraturas faciais graves); 5) TCE grave (GCS ≤ 8); 6) Agitação psicomotora que impeça o tratamento e necessite de sedação profunda.
Todo paciente de trauma deve ser manejado como se tivesse uma lesão de coluna cervical até que se prove o contrário. Durante a intubação orotraqueal, deve-se realizar a Manobra de Estabilização Manual em Linha (MILS). O colar cervical é aberto ou removido temporariamente enquanto um assistente mantém a cabeça e o pescoço em posição neutra, evitando movimentos de extensão ou flexão que possam agravar uma lesão medular.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo