Escala de Coma de Glasgow: Avaliação e Conduta no Trauma

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente está em atendimento na emergência de uma UPA após ter sido vítima de queda de andaime (6 metros). Após a estabilização hemodinâmica, o médico plantonista avalia o estado neurológico, verificando que o paciente abre os olhos apenas ao estimulo doloroso, emite sons incompreensíveis e apresenta rotação interna de MMSS e extensão de MMII ao estímulo doloroso. Em relação à escala de coma de Glasgow (ECG), assistência ventilatória e a conduta definitiva, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) ECG: 8, cânula orofaríngea e observação.
  2. B) ECG: 6, intubação orotraqueal e transferência para um centro de trauma.
  3. C) ECG: 3, oxigênio suplementar por máscara facial e transferência para um centro de trauma.
  4. D) ECG: 7, intubação orotraqueal e transferência para um centro de trauma.

Pérola Clínica

ECG < 8 em trauma → intubação orotraqueal e transferência para centro de trauma. Decorticação = 3, Descerebração = 2.

Resumo-Chave

Um paciente com ECG ≤ 8 após trauma cranioencefálico grave necessita de intubação orotraqueal para proteção de via aérea e ventilação adequada, além de transferência imediata para um centro de trauma. A rotação interna de MMSS e extensão de MMII ao estímulo doloroso corresponde à postura de decorticação, indicando lesão cerebral grave.

Contexto Educacional

A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é uma ferramenta fundamental na avaliação inicial de pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE), fornecendo uma medida objetiva do nível de consciência. Ela avalia três componentes: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora, com pontuações que variam de 3 (coma profundo) a 15 (plenamente consciente). A rápida e precisa aplicação da ECG é crucial para classificar a gravidade do TCE e guiar a conduta. No contexto de um TCE, uma pontuação na ECG igual ou inferior a 8 é um forte indicativo de TCE grave, exigindo intervenção imediata para proteção da via aérea. A presença de posturas anormais, como a rigidez de decorticação (flexão dos braços e extensão das pernas) ou descerebração (extensão de braços e pernas), reflete lesões cerebrais significativas e pontuações baixas na escala motora. A decorticação indica lesão acima do tronco encefálico, enquanto a descerebração sugere lesão mais inferior, no tronco encefálico. A conduta para pacientes com TCE grave (ECG ≤ 8) inclui a intubação orotraqueal para garantir a permeabilidade da via aérea e ventilação adequada, prevenindo hipóxia e hipercapnia, que podem agravar a lesão cerebral. Além disso, a transferência para um centro de trauma especializado é imperativa para o manejo definitivo, incluindo neurocirurgia e monitorização intensiva. A estabilização hemodinâmica e neurológica inicial na emergência é vital antes da transferência.

Perguntas Frequentes

Como calcular a Escala de Coma de Glasgow para o paciente descrito?

Para o paciente descrito: Abertura ocular ao estímulo doloroso = 2 pontos. Emite sons incompreensíveis = 2 pontos. Rotação interna de MMSS e extensão de MMII ao estímulo doloroso (postura de decorticação) = 3 pontos. Totalizando 2 + 2 + 3 = 7 pontos na ECG.

Qual a indicação de intubação orotraqueal baseada na ECG?

A indicação clássica para intubação orotraqueal em pacientes com traumatismo cranioencefálico é uma pontuação na Escala de Coma de Glasgow igual ou inferior a 8 (ECG ≤ 8). Isso visa proteger a via aérea, prevenir aspiração e garantir ventilação e oxigenação cerebral adequadas.

O que significa a postura de rotação interna de MMSS e extensão de MMII?

A postura de rotação interna de membros superiores e extensão de membros inferiores ao estímulo doloroso é conhecida como rigidez de decorticação. Ela indica uma lesão cerebral grave acima do tronco encefálico, geralmente no nível do córtex ou da substância branca subcortical, e pontua 3 na resposta motora da ECG.

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