UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2017
Pessoa vítima de atropelamento foi atendida inicialmente no local do acidente pela equipe do corpo de bombeiros. Encontrava-se inconsciente, com ferimento extenso no couro cabeludo, com exposição da calota craniana, cortes na face, escoriações no tórax e sinais de fratura no fêmur esquerdo. Depois de realizada a imobilização cervical e o MIE, a vítima foi imobilizada em decúbito dorsal sobre prancha cervical, para ser transportada. No serviço de pronto-socorro, constatou-se que o paciente apresentava abertura ocular ao estímulo doloroso, respondia palavras inadequadas e localizava a dor ao estímulo doloroso. Suas pupilas estavam isocóricas e fotorreagentes, e a ausculta pulmonar à esquerda estava diminuída. Havia escoriações e crepitação ao nível entre a quarta e a sexta costelas no hemitórax esquerdo, bem como aumento do volume da coxa esquerda em seu terço distal. O paciente tinha saturação de oxigênio de 89%, frequência cardíaca de 95 bpm e pressão arterial de 100 mmHg x 50 mmHg. Após ressuscitação inicial com administração de fluidos, o paciente foi encaminhado ao serviço de radiologia, para a realização de tomografia computadorizada de crânio e rotina radiológica. Considerando esse caso clínico, julgue o item subsecutivo. Pela escala de coma de Glasgow, os resultados do exame neurológico enquadram o paciente em critérios que tornam necessário submetê-lo à entubação orotraqueal, para manutenção da via aérea, antes de ele ser encaminhado para o serviço de radiologia.
GCS ≤ 8 → Intubação orotraqueal para proteção de via aérea; GCS 10 não é indicação absoluta.
A Escala de Coma de Glasgow (GCS) é crucial na avaliação inicial do trauma. Um GCS de 8 ou menos é um critério clássico para intubação orotraqueal, visando proteger a via aérea e garantir ventilação adequada. No caso, GCS 10 não preenche esse critério isoladamente.
A avaliação inicial do paciente traumatizado segue o protocolo ATLS, com a avaliação neurológica sendo um componente crítico. A Escala de Coma de Glasgow (GCS) é a ferramenta padrão para quantificar o nível de consciência, sendo fundamental para identificar pacientes com risco de comprometimento da via aérea e necessidade de intubação. Um GCS ≤ 8 é classicamente considerado um limiar para intubação, pois indica uma incapacidade do paciente de proteger sua via aérea. No caso clínico, o paciente apresenta GCS 10 (O2V3M5), o que, isoladamente, não preenche o critério de GCS ≤ 8 para intubação. Embora a saturação de oxigênio de 89% seja preocupante e exija intervenção para otimizar a oxigenação, a questão foca especificamente nos critérios da GCS para intubação antes da radiologia. Outros sinais como a ausculta pulmonar diminuída e crepitação torácica sugerem trauma torácico (pneumotórax/hemotórax), que também pode levar à hipoxemia. O manejo da via aérea é a prioridade "A" do ATLS. A decisão de intubar deve considerar não apenas o GCS, mas também a capacidade de manter a via aérea pérvia, ventilação e oxigenação adequadas, e a necessidade de sedação para procedimentos. Mesmo com GCS > 8, se houver risco iminente de obstrução ou falha respiratória, a intubação pode ser necessária. No entanto, a afirmação da questão é que o GCS *torna necessário* a intubação, o que é incorreto para um GCS de 10.
Um GCS igual ou inferior a 8 é o principal critério para intubação orotraqueal em pacientes com trauma, indicando comprometimento da proteção de via aérea.
A GCS avalia abertura ocular (1-4), resposta verbal (1-5) e resposta motora (1-6). A soma desses valores fornece o escore total.
Hipoxemia grave (SatO2 < 90%), hipercapnia, lesões faciais ou cervicais que comprometam a via aérea, ou necessidade de sedação profunda para procedimentos.
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