HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2017
Motociclista de 23 anos colidiu em alta velocidade contra lateral de automóvel. Usava capacete, porém, este saiu no momento do impacto. Foi trazido pelo serviço de préhospitalar ao Pronto Socorro em prancha rígida e com colar cervical. Chega gemente, emitindo apenas sons incompreensíveis. Apresenta trauma de face importante, com sangramento profuso no nariz e cavidade oral. Frequência respiratória de 30 incursões por minuto. A oximetria de pulso registra 78% em ar ambiente. Apresenta ferimento abrasivo e equimose ao nível das últimas costelas e flanco à direita, onde há crepitação e o paciente localiza esta área à palpação local. O murmúrio vesicular está diminuído à direita. À percussão torácica, há hipertimpanismo à direita. A pelve é estável. No exame da genitália, nota-se hematoma escrotal, sem uretrorragia. A frequência cardíaca é 125 batimentos por minuto. A pressão arterial é 90 x 50 mmHg. Não há abertura ocular nem aos estímulos dolorosos e as pupilas são isocóricas e fotorreagentes.Assinale a alternativa que indica a correta pontuação na Escala de Coma de Glasgow deste paciente.
Glasgow ≤ 8 → Indicação de via aérea definitiva (IOT).
A pontuação da Escala de Coma de Glasgow é a soma da melhor resposta ocular, verbal e motora. No trauma, define a gravidade do TCE e guia intervenções imediatas.
A Escala de Coma de Glasgow (ECG) permanece como o padrão-ouro para a avaliação do nível de consciência no trauma. No caso apresentado: o paciente não abre os olhos (E1), emite sons incompreensíveis/geme (V2) e localiza a área da dor à palpação (M5), totalizando 8 pontos. É fundamental lembrar que a avaliação deve ser feita após a estabilização hemodinâmica inicial, pois a hipotensão e a hipóxia podem falsear o nível de consciência. Além disso, a atualização de 2018 introduziu a avaliação da reatividade pupilar (Glasgow-P), onde se subtrai pontos se as pupilas não reagirem à luz, embora a escala tradicional de 3 a 15 ainda seja amplamente utilizada em provas de residência.
Se o paciente emite apenas gemidos ou sons que não formam palavras reconhecíveis, a pontuação na resposta verbal é 2 (Sons incompreensíveis). Se ele dissesse palavras isoladas sem nexo, seria 3 (Palavras inapropriadas).
A pontuação M5 (Localiza dor) ocorre quando o paciente eleva a mão acima do nível da clavícula em resposta a um estímulo doloroso supraorbitário ou no trapézio. A pontuação M4 (Flexão inespecífica/Retirada) ocorre quando o paciente apenas flexiona o braço ou retira o membro do estímulo sem localizar o ponto exato da dor.
Sim. A classificação do TCE pela Escala de Glasgow é: Leve (13-15), Moderado (9-12) e Grave (3-8). Pacientes com Glasgow menor ou igual a 8 perdem a capacidade de proteger a via aérea e têm indicação formal de intubação orotraqueal.
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