UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025
Paciente, 55 anos, com diagnóstico de neoplasia de mama com metástase óssea há 6 meses. Faz uso de tramadol 50 mg 6/6h devido a dor em coluna lombar. Há 1 semana paciente refere piora da dor, pontuando na escala numérica 8/10. Diante desse caso, qual a melhor conduta para o controle de dor?
Dor oncológica intensa (≥7/10) em uso de opioide fraco (degrau 2) → escalar para opioide forte (degrau 3), como morfina.
A paciente apresenta dor intensa (8/10) não controlada com um opioide fraco (tramadol), indicando a necessidade de subir para o terceiro degrau da escada analgésica da OMS. A conduta correta é a introdução de um opioide forte, como a morfina, para obter o controle da dor basal, podendo-se manter adjuvantes.
O manejo da dor oncológica é um pilar dos cuidados paliativos e baseia-se fundamentalmente na escada analgésica da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa estratégia de três degraus orienta a escolha do analgésico de acordo com a intensidade da dor referida pelo paciente, permitindo uma abordagem sistemática e eficaz. O primeiro degrau, para dor leve (1-3/10), preconiza o uso de analgésicos não opioides, como dipirona, paracetamol ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), associados ou não a medicamentos adjuvantes. Se a dor persistir ou aumentar para moderada (4-6/10), sobe-se para o segundo degrau, adicionando um opioide fraco, como tramadol ou codeína. Para dor intensa (7-10/10), a indicação é o terceiro degrau, com a introdução de um opioide forte, como morfina, metadona ou oxicodona. No caso apresentado, a paciente está no degrau 2 (uso de tramadol) com dor intensa (8/10), indicando falha terapêutica nesse nível. A conduta correta é a escalação para o degrau 3, com a introdução de um opioide forte. A morfina é frequentemente a droga de primeira escolha. A associação de um opioide forte de liberação lenta para controle da dor basal, como a morfina 10mg de 12/12h, é uma estratégia válida para iniciar o tratamento do terceiro degrau, visando o conforto e a qualidade de vida do paciente.
A escada possui três degraus: Degrau 1 (dor leve 1-3/10) usa analgésicos não opioides (AINEs, paracetamol, dipirona) +/- adjuvantes. Degrau 2 (dor moderada 4-6/10) associa um opioide fraco (tramadol, codeína). Degrau 3 (dor intensa 7-10/10) utiliza um opioide forte (morfina, metadona, oxicodona), sempre podendo associar medicações do degrau 1 e adjuvantes.
Com dor de intensidade 8/10, a dor é classificada como severa. O tramadol tem um efeito teto para analgesia e aumentar a dose pode não ser suficiente, além de elevar o risco de efeitos colaterais (náuseas, tontura, síndrome serotoninérgica). A escalação para um opioide forte como a morfina é mais eficaz e apropriada para o nível de dor.
Rotação de opioides é a prática de substituir um opioide por outro para melhorar o equilíbrio entre analgesia e efeitos adversos. Está indicada quando há controle inadequado da dor apesar do aumento da dose, ou quando surgem efeitos colaterais intoleráveis (ex: mioclonia, sedação excessiva, alucinações).
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