MedEvo Simulado — Prova 2026
Enzo, um lactente de 4 meses de idade, é levado à consulta pediátrica devido a um quadro de irritabilidade intensa, choro inconsolável e dificuldade para dormir há cerca de 10 dias. A mãe relata que o bebê apresenta lesões de pele que começaram no tronco e se espalharam para as extremidades. Ao exame físico, observa-se um lactente eutrófico, porém muito irritado. Na pele, notam-se pápulas eritematosas disseminadas, vesículas e algumas pústulas, localizadas em tronco, axilas, região periumbilical e, notadamente, nas palmas das mãos, plantas dos pés, couro cabeludo e face. Algumas lesões em membros inferiores apresentam crostas melicéricas e edema circunjacente. A mãe queixa-se de prurido noturno importante e apresenta pápulas eritematosas nos espaços interdigitais e mamas. O pai e o irmão de 3 anos moram na mesma casa e estão assintomáticos até o momento. Com base no quadro clínico e epidemiológico, assinale a alternativa que apresenta a conduta terapêutica mais adequada para o caso.
Lactente com pápulas em palmas/plantas/face + prurido familiar → Escabiose (tratar corpo todo + contatos).
Em lactentes, a escabiose atinge face e couro cabeludo, exigindo aplicação de permetrina em todo o corpo. Infecções secundárias (crostas melicéricas) requerem antibioticoterapia sistêmica.
A escabiose é uma infestação parasitária causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis. Em lactentes, a apresentação clínica é frequentemente atípica, com envolvimento de áreas poupadas em adultos, como palmas, plantas, face e couro cabeludo. A irritabilidade extrema e o choro inconsolável são marcadores importantes devido ao prurido intenso, que piora à noite. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na morfologia das lesões e na história epidemiológica de prurido em contatos próximos. O tratamento de escolha é a permetrina 5% em creme, aplicada do pescoço aos pés em adultos, mas incluindo a cabeça em crianças pequenas. A ivermectina oral é uma alternativa, porém seu uso é restrito a crianças com mais de 15 kg ou acima de uma certa idade, dependendo da diretriz. A falha terapêutica geralmente decorre do tratamento inadequado dos contatos ou da não aplicação do escabicida em todas as áreas do corpo.
Diferente dos adultos e crianças maiores, nos lactentes o Sarcoptes scabiei frequentemente acomete a face, o couro cabeludo, o pescoço e as regiões palmoplantares. Isso ocorre devido à maior densidade de glândulas e à pele mais fina nessas áreas nos bebês. Portanto, a aplicação do escabicida tópico (como a permetrina 5%) deve ser feita em toda a superfície corporal, da cabeça aos pés, para garantir a erradicação do ácaro e evitar recidivas.
A presença de crostas melicéricas e edema circunjacente indica impetiginização secundária, geralmente por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes. Em casos de lesões disseminadas ou em lactentes pequenos, a antibioticoterapia sistêmica (como cefalexina) é preferível à tópica para garantir a resolução da piodermite e prevenir complicações como a glomerulonefrite pós-estreptocócica.
Todos os contatos domiciliares e cuidadores próximos devem ser tratados simultaneamente, independentemente da presença de sintomas. O período de incubação da escabiose pode durar até 6 semanas, durante as quais o indivíduo está infestado e pode transmitir o ácaro, mesmo estando assintomático. O tratamento coletivo é a única forma de interromper a cadeia de transmissão e evitar o efeito 'pingue-pongue'.
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