Escabiose: Diagnóstico, Tratamento e Prurido Pós-Terapêutico

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 35 anos, que trabalha em usina de reciclagem de lixo, veio à consulta na UBS por apresentar prurido há 2 meses, principalmente nas mãos e nas regiões do tronco e inguinal. Não havia outras queixas ou comorbidades. Informou que o prurido era maior à noite após o banho e que sua companheira tinha queixas parecidas. Ao exame, visualizaram-se algumas lesões cutâneas superficiais, escoriadas, papulovesiculosas e simétricas na superfície volar dos punhos, nos espaços interdigitais; algumas ao redor da cintura e da cicatriz umbilical; outras nas axilas, nádegas e na parte superior das coxas. No pênis e no saco escrotal, eram visíveis pequenas pápulas e vesículas com raras placas eczematosas. Assinale a assertiva correta sobre o tratamento dessa afecção cutânea.

Alternativas

  1. A) A recidiva é comum por autoinfestação e por eclosão de ovos, sendo, portanto, necessário repetir o tratamento tópico a cada 3 dias.
  2. B) A persistência do prurido por semanas é frequente mesmo com o tratamento adequado.
  3. C) Tanto o tratamento oral quanto o tratamento tópico devem ser repetidos em 2 semanas.
  4. D) Deve-se evitar o uso de queratolíticos e de corticosteroides para reduzir recidiva e infecção secundária.

Pérola Clínica

Escabiose: prurido noturno intenso + lesões típicas + contato → prurido residual comum pós-tratamento.

Resumo-Chave

O quadro clínico é altamente sugestivo de escabiose, uma infestação parasitária contagiosa. Mesmo após o tratamento eficaz com escabicidas, a persistência do prurido por algumas semanas é comum devido à reação inflamatória aos ácaros mortos e seus produtos, não indicando necessariamente falha terapêutica ou reinfestação.

Contexto Educacional

A escabiose, popularmente conhecida como sarna, é uma ectoparasitose contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis. É uma condição comum, especialmente em ambientes de aglomeração ou com condições sanitárias precárias, e sua transmissão ocorre por contato direto prolongado pele a pele. O diagnóstico é clínico, baseado na história de prurido intenso (principalmente noturno) e na presença de lesões características. As lesões típicas incluem pápulas eritematosas, vesículas, escoriações e os patognomônicos túneis escabióticos, localizados preferencialmente em áreas como espaços interdigitais, punhos, axilas, cintura, nádegas e genitais. A história de contato com pessoas com sintomas semelhantes, como a companheira do paciente, reforça a suspeita diagnóstica. O tratamento da escabiose envolve o uso de escabicidas tópicos, como a permetrina 5%, ou orais, como a ivermectina, para o paciente e todos os contatos próximos. É crucial orientar o paciente que a persistência do prurido por algumas semanas após o tratamento adequado é um fenômeno comum, resultante da reação inflamatória aos ácaros mortos, e não necessariamente um sinal de falha terapêutica ou reinfestação, evitando tratamentos desnecessários e o uso excessivo de medicamentos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da escabiose?

Os sintomas clássicos incluem prurido intenso, predominantemente noturno, e lesões cutâneas como pápulas, vesículas, escoriações e túneis, localizadas tipicamente em espaços interdigitais, punhos, axilas, cintura e genitais.

Qual o tratamento de primeira linha para escabiose?

O tratamento de primeira linha geralmente envolve a aplicação tópica de permetrina 5% por 8-14 horas, repetida em 7 dias. Em casos específicos, como infestação disseminada ou falha do tratamento tópico, pode-se usar ivermectina oral.

Por que o prurido pode persistir após o tratamento eficaz da escabiose?

O prurido pode persistir por semanas após a erradicação dos ácaros devido à reação de hipersensibilidade do corpo aos ácaros mortos e seus produtos, que ainda estão presentes na pele, desencadeando uma resposta inflamatória.

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