Erradicação de H. pylori: Protocolo de Tratamento

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 62 anos queixa-se de epigastralgia em queimação há dois meses, associada a náuseas após a alimentação. Nega pirose, regurgitação, vômitos, disfagia, sangramentos, anorexia, perda ponderal ou quaisquer outras queixas. Desconhece doenças prévias ou em familiares de primeiro grau. O exame físico não revela anormalidades. Esofagogastroduodenoscopia: esôfago e duodeno normais; leve hiperemia na mucosa antral; teste da urease positivo. Assinale a conduta MAIS ADEQUADA nesse caso.

Alternativas

  1. A) Prescrever amoxicilina, claritromicina e inibidor de bomba de prótons por sete dias esolicitar teste respiratório de urease após um mês.
  2. B) Prescrever amoxicilina, claritromicina e inibidor de bomba de prótons por 14 dias erepetir a endoscopia após um mês.
  3. C) Prescrever inibidor de bomba de prótons por oito semanas e, se os sintomaspersistirem, prescrever antidepressivo tricíclico.
  4. D) Prescrever inibidor de bomba de prótons por oito semanas e repetir a endoscopia seos sintomas persistirem.

Pérola Clínica

H. pylori + dispepsia → terapia tríplice (IBP + 2 ATB) por 14 dias.

Resumo-Chave

Em pacientes com dispepsia e teste da urease positivo para H. pylori, a conduta mais adequada é a erradicação da bactéria com terapia tríplice (IBP + dois antibióticos) por 14 dias. A repetição da endoscopia não é rotineira para confirmar a erradicação, mas pode ser considerada em casos específicos, como idade avançada ou sintomas persistentes.

Contexto Educacional

A infecção por Helicobacter pylori é uma das infecções bacterianas crônicas mais comuns no mundo, desempenhando um papel crucial na patogênese de diversas doenças gastrointestinais, incluindo gastrite crônica, úlcera péptica, linfoma MALT e adenocarcinoma gástrico. A dispepsia é um sintoma comum associado à infecção, e a erradicação da bactéria é fundamental para a melhora dos sintomas e prevenção de complicações. A fisiopatologia envolve a capacidade da bactéria de sobreviver no ambiente ácido do estômago, colonizando a mucosa gástrica e induzindo inflamação crônica. O diagnóstico é feito por métodos invasivos (biópsia durante endoscopia com teste da urease, histopatologia ou cultura) ou não invasivos (teste respiratório da ureia, pesquisa de antígeno fecal ou sorologia). A endoscopia com biópsia é indicada em pacientes com sintomas de alarme ou idade superior a 60 anos. O tratamento de erradicação de H. pylori geralmente consiste em um esquema de terapia tríplice ou quádrupla. A terapia tríplice padrão inclui um inibidor de bomba de prótons (IBP) em dose dupla, amoxicilina e claritromicina por 14 dias. Em regiões com alta resistência à claritromicina, esquemas quádruplos com bismuto ou levofloxacino podem ser preferidos. A confirmação da erradicação é importante em casos de úlcera gástrica, linfoma MALT e em pacientes com sintomas persistentes, geralmente realizada 4-6 semanas após o término do tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema de tratamento padrão para erradicação de H. pylori?

O esquema padrão envolve a terapia tríplice, que consiste em um inibidor de bomba de prótons (IBP) e dois antibióticos (geralmente amoxicilina e claritromicina ou metronidazol) administrados por 14 dias.

Quando é necessário repetir a endoscopia após o tratamento de H. pylori?

A repetição da endoscopia para confirmar a erradicação não é rotineira, mas é indicada em pacientes com úlcera gástrica, linfoma MALT, ou naqueles com sintomas persistentes após o tratamento, especialmente em idosos ou com fatores de risco para câncer gástrico.

Quais são os principais efeitos adversos da terapia tríplice?

Os efeitos adversos mais comuns incluem náuseas, diarreia, disgeusia (sabor metálico), dor abdominal e reações alérgicas aos antibióticos. É importante orientar o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento.

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