INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um paciente com 52 anos de idade, atendido no Ambulatório com queixa de dor epigástrica há quatro meses, retorna ao Ambulatório com o resultado de endoscopia digestiva alta, que evidenciou úlcera duodenal com pesquisa positiva para a presença do H. Pylori. Além do inibidor da bomba de prótons duas vezes ao dia, o tratamento medicamentoso recomendado para o paciente é:
Erradicação H. pylori (1ª linha) = IBP + Amoxicilina 1g + Claritromicina 500mg (12/12h) por 10-14 dias.
O tratamento de primeira linha para H. pylori no Brasil utiliza o esquema tríplice clássico, associando inibidor de bomba de prótons com dois antibióticos para garantir altas taxas de erradicação.
O Helicobacter pylori é uma bactéria gram-negativa que coloniza a mucosa gástrica, sendo o principal fator etiológico para gastrites crônicas, úlceras pépticas (gástricas e duodenais) e adenocarcinoma gástrico. A erradicação da bactéria não apenas promove a cicatrização da úlcera, mas reduz drasticamente a taxa de recidiva ulcerosa para menos de 5%. O esquema tríplice (IBP + Amoxicilina + Claritromicina) atua de forma sinérgica: o IBP eleva o pH gástrico, o que aumenta a estabilidade e a eficácia dos antibióticos no lúmen gástrico. A resistência à claritromicina é o principal fator limitante do sucesso terapêutico atualmente. Em pacientes alérgicos à penicilina, a amoxicilina deve ser substituída por metronidazol (500mg 12/12h). Em áreas com resistência à claritromicina superior a 15%, esquemas quádruplos (incluindo bismuto) têm sido cada vez mais recomendados como primeira escolha.
O esquema tríplice padrão de primeira linha no Brasil consiste na administração de: 1) Um Inibidor de Bomba de Prótons (IBP) em dose plena (ex: Omeprazol 20mg, Lansoprazol 30mg, Pantoprazol 40mg) duas vezes ao dia; 2) Amoxicilina na dose de 1g (1.000 mg) a cada 12 horas; 3) Claritromicina na dose de 500 mg a cada 12 horas. É fundamental que a Amoxicilina seja prescrita na dose de 1g por tomada, totalizando 2g/dia, para atingir a concentração inibitória mínima necessária no ambiente gástrico. O uso de doses menores está associado a menores taxas de sucesso na erradicação da bactéria.
Historicamente, o tratamento era realizado por 7 dias. No entanto, devido ao aumento da resistência bacteriana, especialmente à claritromicina, as diretrizes nacionais e internacionais (como o Consenso de Maastricht e o Consenso Brasileiro) passaram a recomendar uma duração de 10 a 14 dias. O tratamento por 10 dias apresenta um equilíbrio custo-benefício favorável, aumentando as taxas de erradicação em comparação aos 7 dias, enquanto o tratamento por 14 dias pode ser considerado em regiões com altas taxas de resistência ou em casos de falha prévia, visando maximizar a probabilidade de cura na primeira tentativa.
A confirmação da erradicação deve ser realizada em todos os pacientes tratados, preferencialmente por métodos não invasivos, como o teste do hálito com ureia marcada com C13 ou a pesquisa de antígeno fecal. Se o paciente tiver indicação de repetir a endoscopia (ex: úlcera gástrica para controle de cicatrização), o teste da urease ou histologia podem ser usados. É crucial aguardar pelo menos 4 semanas após o término dos antibióticos e pelo menos 2 semanas após a suspensão do IBP para realizar qualquer teste de controle, a fim de evitar resultados falso-negativos causados pela supressão temporária da bactéria.
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