Manejo da Metaplasia Intestinal e H. pylori

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 60 anos de idade, foi submetido à endoscopia digestiva alta por dispepsia. O antro apresentava-se eritematoso e foi biopsiado. O resultado da biópsia foi consistente com metaplasia intestinal gástrica e infecção por Helicobacter pylori. Considerando a redução do risco de câncer gástrico neste caso, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Realizar nova endoscopia e aumentar o número de áreas biopsiadas.
  2. B) Prescrever inibidor de bomba de prótons contínuo.
  3. C) Tratar o H. pylori e testar para erradicação.
  4. D) Tratar o H. pylori e monitorar sintomatologia.

Pérola Clínica

Metaplasia intestinal + H. pylori → Erradicar bactéria e confirmar cura para ↓ risco de câncer.

Resumo-Chave

A erradicação do H. pylori é a principal medida para interromper a progressão da cascata de Correa (gastrite → atrofia → metaplasia → displasia → câncer), mesmo em fases pré-neoplásicas.

Contexto Educacional

O manejo do Helicobacter pylori é um pilar na gastroenterologia preventiva. A infecção crônica leva a alterações fenotípicas da mucosa gástrica. A metaplasia intestinal representa a substituição do epitélio gástrico por epitélio do tipo intestinal e é um marcador de risco aumentado para o câncer gástrico tipo intestinal de Lauren. As diretrizes atuais (Consenso de Kyoto e Consenso Brasileiro) enfatizam que todos os pacientes infectados devem receber tratamento, especialmente aqueles com lesões pré-neoplásicas. A conduta não se encerra na prescrição dos antibióticos; a confirmação da erradicação é mandatória para validar a eficácia da intervenção preventiva.

Perguntas Frequentes

Por que erradicar o H. pylori na presença de metaplasia intestinal?

O H. pylori é classificado como um carcinógeno do grupo 1. Sua presença causa inflamação crônica que impulsiona a cascata de Correa. Embora a metaplasia intestinal seja considerada um ponto de 'não retorno' parcial, a erradicação da bactéria reduz significativamente o risco de progressão para adenocarcinoma gástrico e melhora o microambiente da mucosa.

Como deve ser feito o controle de cura do H. pylori?

O controle de cura deve ser realizado pelo menos 4 semanas após o término do tratamento antibiótico e pelo menos 2 semanas após a suspensão de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP). Pode ser feito via teste da ureia respiratória, pesquisa de antígeno fecal ou nova endoscopia com biópsia, se houver indicação de seguimento da metaplasia.

A metaplasia intestinal gástrica exige vigilância endoscópica?

Sim, dependendo da extensão e de fatores de risco. Metaplasia intestinal extensa (envolvendo corpo e antro) ou com histórico familiar de câncer gástrico geralmente requer acompanhamento endoscópico periódico (ex: a cada 3 anos) para detecção precoce de displasia ou neoplasia precoce.

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