CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Com relação às erosões recorrentes da córnea, é correto afirmar:
Erosão recorrente = Defeito na membrana basal + ↓ hemidesmossomas → Falha de adesão epitelial.
A erosão recorrente da córnea é causada por uma adesão deficiente do epitélio à membrana basal, frequentemente ligada a distrofias ou traumas prévios, resultando em episódios súbitos de dor ocular.
A síndrome de erosão recorrente da córnea (SERC) é uma condição debilitante que pode ocorrer após traumas superficiais (como unhadas ou folhas de papel) ou estar associada a distrofias corneanas, sendo a distrofia de membrana basal epitelial (Map-Dot-Fingerprint) a mais comum. A integridade da superfície ocular depende de um complexo de adesão funcional composto por hemidesmossomas, filamentos de ancoragem e fibrilas de ancoragem (colágeno tipo VII). O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame de lâmpada de fenda, onde se observa áreas de epitélio frouxo ou defeitos epiteliais francos que coram com fluoresceína. O tratamento inicial foca na lubrificação intensiva e pomadas noturnas para reduzir o atrito palpebral. Em casos crônicos, a intervenção cirúrgica visa criar uma superfície estromal que favoreça a formação de novos complexos de adesão estáveis.
A base fisiopatológica é a falha na adesão entre o epitélio corneano e a membrana basal subjacente. Estudos ultraestruturais mostram que há um defeito na formação da membrana basal epitelial e uma redução significativa no número de hemidesmossomas, que são as estruturas responsáveis por 'ancorar' as células epiteliais ao estroma. Isso torna o epitélio suscetível a desprendimentos, especialmente após traumas mecânicos leves, como o abrir das pálpebras ao acordar.
O sintoma clássico é a dor ocular súbita e intensa, geralmente acompanhada de lacrimejamento, fotofobia e hiperemia conjuntival. Esses episódios ocorrem tipicamente durante a noite ou imediatamente ao acordar. Isso acontece porque, durante o sono, a hidratação da córnea muda e a pálpebra pode aderir levemente ao epitélio; ao abrir os olhos, a força mecânica da pálpebra remove a camada epitelial mal aderida.
Para casos que não respondem a lubrificantes e lentes de contato terapêuticas, as opções incluem: 1) Desbridamento epitelial; 2) Micropunctura estromal anterior (indicada para lesões fora do eixo visual, pois pode causar cicatrizes); 3) Ceratectomia fototerapêutica (PTK) com Excimer Laser, que remove a membrana basal doente e permite a formação de uma nova camada de adesão mais forte.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo