Erosões Recorrentes da Córnea: Fisiopatologia e Manejo

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Com relação às erosões recorrentes da córnea, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Caracteristicamente, os pacientes apresentam dor ocular vespertina intensa, associada a lacrimejamento, à hiperemia ocular e a embaçamento visual.
  2. B) O estudo do epitélio da córnea de pacientes com erosões recorrentes secundárias às distrofias de córnea revelou defeito de membrana basal e diminuição significativa do número de hemidesmossomas.
  3. C) Colírio de n-acetilcisteína a 10% por tempo prolongado (pelo menos três meses) está indicado nos casos refratários ao uso de lubrificantes oculares e de lente de contato terapêutica.
  4. D) Lesões extensas, com erosões frequentes, refratárias ao uso de lubrificantes oculares e localizadas no centro da córnea devem ser tratadas preferencialmente com micropunctura estromal realizada com agulha de calibre 25G.

Pérola Clínica

Erosão recorrente = Defeito na membrana basal + ↓ hemidesmossomas → Falha de adesão epitelial.

Resumo-Chave

A erosão recorrente da córnea é causada por uma adesão deficiente do epitélio à membrana basal, frequentemente ligada a distrofias ou traumas prévios, resultando em episódios súbitos de dor ocular.

Contexto Educacional

A síndrome de erosão recorrente da córnea (SERC) é uma condição debilitante que pode ocorrer após traumas superficiais (como unhadas ou folhas de papel) ou estar associada a distrofias corneanas, sendo a distrofia de membrana basal epitelial (Map-Dot-Fingerprint) a mais comum. A integridade da superfície ocular depende de um complexo de adesão funcional composto por hemidesmossomas, filamentos de ancoragem e fibrilas de ancoragem (colágeno tipo VII). O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame de lâmpada de fenda, onde se observa áreas de epitélio frouxo ou defeitos epiteliais francos que coram com fluoresceína. O tratamento inicial foca na lubrificação intensiva e pomadas noturnas para reduzir o atrito palpebral. Em casos crônicos, a intervenção cirúrgica visa criar uma superfície estromal que favoreça a formação de novos complexos de adesão estáveis.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da erosão recorrente da córnea?

A base fisiopatológica é a falha na adesão entre o epitélio corneano e a membrana basal subjacente. Estudos ultraestruturais mostram que há um defeito na formação da membrana basal epitelial e uma redução significativa no número de hemidesmossomas, que são as estruturas responsáveis por 'ancorar' as células epiteliais ao estroma. Isso torna o epitélio suscetível a desprendimentos, especialmente após traumas mecânicos leves, como o abrir das pálpebras ao acordar.

Quais são os sintomas típicos e quando ocorrem?

O sintoma clássico é a dor ocular súbita e intensa, geralmente acompanhada de lacrimejamento, fotofobia e hiperemia conjuntival. Esses episódios ocorrem tipicamente durante a noite ou imediatamente ao acordar. Isso acontece porque, durante o sono, a hidratação da córnea muda e a pálpebra pode aderir levemente ao epitélio; ao abrir os olhos, a força mecânica da pálpebra remove a camada epitelial mal aderida.

Quais as opções de tratamento para casos refratários?

Para casos que não respondem a lubrificantes e lentes de contato terapêuticas, as opções incluem: 1) Desbridamento epitelial; 2) Micropunctura estromal anterior (indicada para lesões fora do eixo visual, pois pode causar cicatrizes); 3) Ceratectomia fototerapêutica (PTK) com Excimer Laser, que remove a membrana basal doente e permite a formação de uma nova camada de adesão mais forte.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo