Erosão Epitelial da Córnea: Causas e Tratamentos

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Qual a alternativa correta com relação às diferentes causas de erosão epitelial da córnea?

Alternativas

  1. A) Colírio de cloreto de sódio em concentração hipertônica está indicado para o controle de erosões epiteliais recorrentes secundária à distrofia da membrana basal do epitélio da córnea.
  2. B) O tratamento de neoplasia da superfície ocular realizado com colírio de interferon alfa tende a induzir mais alterações na superfície ocular, incluindo ceratite difusa, do que o colírio de mitomicina C.
  3. C) A ceratite localizada superiormente relacionada à ceratocojuntivite límbica superior frequentemente está associada a comorbidades como obesidade e apneia do sono.
  4. D) Paciente com quadro recente de paralisia facial periférica de Bell que evolui com dor ocular intensa no olho do lado acometido e ceratite predominando no terço inferior da córnea, caracteriza o desenvolvimento de uma úlcera de córnea neurotrófica.

Pérola Clínica

Erosão recorrente (distrofia membrana basal) → Colírio hipertônico (NaCl 5%) melhora adesão epitelial.

Resumo-Chave

O uso de soluções hipertônicas é fundamental no manejo de erosões recorrentes por distrofia da membrana basal, pois reduz o edema epitelial e fortalece os complexos de adesão celular.

Contexto Educacional

As erosões epiteliais da córnea são condições frequentes que variam de traumas agudos a distrofias hereditárias. A distrofia da membrana basal epitelial é a distrofia anterior mais comum, muitas vezes subdiagnosticada. O manejo envolve lubrificação intensa, pomadas noturnas e agentes osmóticos como o NaCl 5%. Além das causas mecânicas e distróficas, a toxicidade medicamentosa e as alterações palpebrais desempenham papel crucial. A ceratoconjuntivite límbica superior de Theodore, por exemplo, está classicamente associada a disfunções tireoidianas (doença de Graves) e não à obesidade/apneia do sono (que se associam à síndrome da pálpebra frouxa). O diagnóstico diferencial preciso entre ceratite de exposição e neurotrófica é vital, pois o tratamento desta última foca na regeneração nervosa e proteção, enquanto a primeira foca na correção mecânica do lagoftalmo.

Perguntas Frequentes

Como o cloreto de sódio hipertônico ajuda na distrofia da membrana basal?

Na distrofia da membrana basal epitelial (também conhecida como distrofia de Cogan ou 'map-dot-fingerprint'), os hemidesmossomos que ancoram o epitélio à membrana basal são defeituosos, levando a erosões recorrentes. O colírio de cloreto de sódio 5% (hipertônico) cria um gradiente osmótico que retira o excesso de fluido do epitélio e do espaço subepitelial. Isso reduz o edema microcístico e 'compacta' as células epiteliais contra a membrana basal, facilitando a formação de complexos de adesão mais estáveis e prevenindo novos episódios de erosão, especialmente ao acordar.

Qual a diferença de toxicidade entre Interferon e Mitomicina C?

No tratamento de neoplasias da superfície ocular (como o CEC conjuntival), a Mitomicina C (MMC) é geralmente considerada mais tóxica para a superfície ocular do que o Interferon alfa-2b. A MMC é um agente alquilante que pode causar ceratite pontuada severa, dor, hiperemia conjuntival e, em casos graves, estenose de pontos lacrimal e limbal. O Interferon alfa-2b é um modificador de resposta biológica com perfil de tolerabilidade muito melhor, causando menos irritação crônica e alterações epiteliais do que a MMC.

O que caracteriza a ceratite na paralisia de Bell?

A paralisia facial periférica (Bell) impede o fechamento palpebral adequado (lagoftalmo), levando à ceratite de exposição. Esta se manifesta tipicamente no terço inferior da córnea, onde a superfície fica mais desprotegida durante o sono ou pelo piscar incompleto. Embora cause dor intensa e erosões, ela difere da úlcera neurotrófica, que é causada pela perda da inervação sensitiva (nervo trigêmeo) e resulta em uma úlcera de bordas elevadas e indolente devido à anestesia corneana.

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