CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, com 35 anos, comparece ao pronto-socorro pela terceira vez em seis meses, queixando-se de dor ocular de início súbito, lacrimejamento e turvação visual, dessa vez no olho esquerdo. Não havia nesse momento nenhuma queixa relacionada ao olho contralateral. A paciente negava cirurgias oculares prévias. Uma topografia de córnea foi obtida nesse momento, assim como fotografias de ambos os olhos. A seguir está a fotodocumentação do olho direito e a topografia de córnea de ambos os olhos. Com relação ao caso, é correto afirmar:
Erosão recorrente → Dor súbita ao abrir os olhos + Topografia alterada. Conduta: Lente terapêutica + Colírio hipertônico.
A síndrome de erosão corneana recorrente, muitas vezes associada a distrofias da membrana basal, requer proteção do epitélio e redução do edema para promover a adesão celular adequada.
A síndrome de erosão recorrente da córnea (SERC) é uma condição debilitante caracterizada por episódios repetidos de quebra do epitélio corneano. A causa mais comum é a Distrofia da Membrana Basal Epitelial (também conhecida como distrofia map-dot-fingerprint), onde a membrana basal é redundante ou mal formada, impedindo a adesão correta das células epiteliais. O diagnóstico é clínico, auxiliado pela lâmpada de fenda e topografia, que revela irregularidades na superfície. O tratamento inicial é conservador, com lubrificação intensa, pomadas noturnas e agentes hipertônicos. Casos refratários podem exigir intervenções cirúrgicas como punção estromal anterior, desbridamento epitelial ou ceratectomia fototerapêutica (PTK) com Excimer laser.
A dor ocorre tipicamente ao abrir os olhos pela manhã. Durante o sono, a pálpebra adere ao epitélio corneano fragilizado (devido a uma distrofia de membrana basal ou trauma prévio). Ao abrir os olhos, o movimento palpebral 'rasga' o epitélio frouxo, expondo as terminações nervosas da córnea, o que causa dor aguda, lacrimejamento e fotofobia. A topografia pode mostrar irregularidades epiteliais características.
Soluções hipertônicas (como cloreto de sódio 5%) criam um gradiente osmótico que retira o excesso de fluido do epitélio e do estroma anterior. Isso reduz o edema epitelial, permitindo que as células epiteliais se aproximem e formem complexos de adesão (hemidesmossomos) mais firmes com a membrana basal subjacente, prevenindo novos descolamentos.
A lente de contato terapêutica é indicada na fase aguda da erosão para alívio da dor e para atuar como um 'curativo', protegendo o epitélio em regeneração do atrito constante das pálpebras durante o piscar. Ela deve ser mantida até que a reepitelização esteja completa e estável, muitas vezes por várias semanas, associada a lubrificantes sem conservantes.
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