Erosão Corneana Recorrente: Diagnóstico e Manejo Clínico

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo feminino, com 35 anos, comparece ao pronto-socorro pela terceira vez em seis meses, queixando-se de dor ocular de início súbito, lacrimejamento e turvação visual, dessa vez no olho esquerdo. Não havia nesse momento nenhuma queixa relacionada ao olho contralateral. A paciente negava cirurgias oculares prévias. Uma topografia de córnea foi obtida nesse momento, assim como fotografias de ambos os olhos. A seguir está a fotodocumentação do olho direito e a topografia de córnea de ambos os olhos. Com relação ao caso, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A prevenção de novos episódios agudos poderá ser realizada com a prescrição sistêmica de aciclovir (800 mg por dia) ou valaciclovir (500 mg por dia) durante três a seis meses.
  2. B) Trata-se provavelmente da distrofia polimorfa posterior. Embora a maioria dos casos seja assintomática, eventualmente podem evoluir com erosões epiteliais recorrentes.
  3. C) Essa condição apresenta padrão de herança autossômico recessivo causada por alteração localizada no braço longo do cromossoma 31 e caracteriza-se pela presença de opacidades reticulares oriundas na camada de Bowman.
  4. D) Nesse momento, a colocação de lente de contato terapêutica no olho esquerdo e a prescrição de colírio hipertônico para o olho direito são opções de tratamento válidas.

Pérola Clínica

Erosão recorrente → Dor súbita ao abrir os olhos + Topografia alterada. Conduta: Lente terapêutica + Colírio hipertônico.

Resumo-Chave

A síndrome de erosão corneana recorrente, muitas vezes associada a distrofias da membrana basal, requer proteção do epitélio e redução do edema para promover a adesão celular adequada.

Contexto Educacional

A síndrome de erosão recorrente da córnea (SERC) é uma condição debilitante caracterizada por episódios repetidos de quebra do epitélio corneano. A causa mais comum é a Distrofia da Membrana Basal Epitelial (também conhecida como distrofia map-dot-fingerprint), onde a membrana basal é redundante ou mal formada, impedindo a adesão correta das células epiteliais. O diagnóstico é clínico, auxiliado pela lâmpada de fenda e topografia, que revela irregularidades na superfície. O tratamento inicial é conservador, com lubrificação intensa, pomadas noturnas e agentes hipertônicos. Casos refratários podem exigir intervenções cirúrgicas como punção estromal anterior, desbridamento epitelial ou ceratectomia fototerapêutica (PTK) com Excimer laser.

Perguntas Frequentes

O que causa a dor súbita na erosão corneana recorrente?

A dor ocorre tipicamente ao abrir os olhos pela manhã. Durante o sono, a pálpebra adere ao epitélio corneano fragilizado (devido a uma distrofia de membrana basal ou trauma prévio). Ao abrir os olhos, o movimento palpebral 'rasga' o epitélio frouxo, expondo as terminações nervosas da córnea, o que causa dor aguda, lacrimejamento e fotofobia. A topografia pode mostrar irregularidades epiteliais características.

Qual o papel do colírio hipertônico no tratamento?

Soluções hipertônicas (como cloreto de sódio 5%) criam um gradiente osmótico que retira o excesso de fluido do epitélio e do estroma anterior. Isso reduz o edema epitelial, permitindo que as células epiteliais se aproximem e formem complexos de adesão (hemidesmossomos) mais firmes com a membrana basal subjacente, prevenindo novos descolamentos.

Quando indicar lente de contato terapêutica?

A lente de contato terapêutica é indicada na fase aguda da erosão para alívio da dor e para atuar como um 'curativo', protegendo o epitélio em regeneração do atrito constante das pálpebras durante o piscar. Ela deve ser mantida até que a reepitelização esteja completa e estável, muitas vezes por várias semanas, associada a lubrificantes sem conservantes.

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