UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025
Um homem de 34 anos, diagnosticado com hanseníase virchowiana, está em tratamento regular com poliquimioterapia (PQT/OMS) por 5 meses. Ele procura atendimento emergencial devido ao aparecimento súbito de febre, mal-estar geral, lesões eritematosas elevadas e dolorosas nos membros superiores e inferiores, acompanhadas de edema em mãos e pés. Ao exame clínico, não há piora funcional nos nervos já acometidos anteriormente. A hipótese inicial foi de reação hansênica. Sua equipe médica optou por iniciar prednisona oral em dose imunossupressora. Sobre o manejo desse paciente com suspeita de reação hansênica tipo 2 (eritema nodoso hansênico - ENH), baseandose no conhecimento atualizado sobre o tema, avalie as afirmativas a seguir e escolha a CORRETA:
ENH (Reação Hansênica Tipo 2) = imunocomplexos → manter PQT + prednisona/talidomida (se grave).
O eritema nodoso hansênico (ENH) é uma reação hansênica tipo 2, uma hipersensibilidade tipo III mediada por imunocomplexos. O tratamento da hanseníase (PQT) deve ser mantido durante o manejo da reação, que geralmente envolve corticosteroides ou talidomida.
As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento da hanseníase, representando uma das principais causas de incapacidades e deformidades. A reação hansênica tipo 2, ou eritema nodoso hansênico (ENH), é mais comum em pacientes com formas multibacilares, como a hanseníase virchowiana, e é caracterizada por lesões cutâneas eritematosas, elevadas e dolorosas, acompanhadas de sintomas sistêmicos. A fisiopatologia do ENH envolve uma reação de hipersensibilidade tipo III, onde há formação e deposição de imunocomplexos (antígenos do Mycobacterium leprae e anticorpos) em vasos sanguíneos e tecidos, desencadeando uma resposta inflamatória intensa. O diagnóstico é clínico, baseado nas manifestações cutâneas e sistêmicas, e não exige uma nova biópsia de pele para confirmação em casos típicos. O manejo do ENH é feito com anti-inflamatórios. Corticosteroides (como a prednisona) são a primeira linha de tratamento para casos moderados a graves. A talidomida é altamente eficaz para o ENH, sendo a droga de escolha para casos graves ou refratários, mas é contraindicada em mulheres em idade fértil devido ao seu potencial teratogênico. É crucial que a poliquimioterapia (PQT) para a hanseníase seja mantida durante o tratamento da reação, pois ela é essencial para o controle da infecção subjacente.
O ENH é uma reação de hipersensibilidade tipo III, mediada pela formação e deposição de imunocomplexos (antígeno-anticorpo) em diversos tecidos, desencadeando uma resposta inflamatória sistêmica, com vasculite e paniculite.
Não, a poliquimioterapia (PQT) deve ser mantida durante o manejo da reação hansênica tipo 2, pois é fundamental para o controle da doença de base, redução da carga bacilar e prevenção de novas reações.
A talidomida é a droga de escolha para o ENH grave, especialmente em casos de difícil controle com corticosteroides, mas é contraindicada em mulheres em idade fértil devido ao risco teratogênico e exige controle rigoroso.
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