SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Uma mulher de 32 anos, diagnosticada com hanseníase multibacilar há 3 meses e em uso de poliquimioterapia (PQT), retorna ao serviço com queixa de febre, dor intensa e inchaço em mãos e pés. No exame físico, nota-se eritema e edema nas mãos e pés, com áreas de necrose superficial nas lesões de hanseníase previamente existentes. Baciloscopia de lóbulos auriculares continua positiva (+2). A paciente também apresenta espessamento dos nervos periféricos e intensa dor à palpação. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada?
ENH (Tipo 2) → Talidomida + Manter PQT; Reação Reversa (Tipo 1) → Corticoide.
A reação tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico) é uma reação de hipersensibilidade mediada por imunocomplexos (Tipo III), comum em pacientes multibacilares, tratada com talidomida sem interromper a PQT.
As reações hansênicas são episódios agudos de inflamação que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento da hanseníase. A Reação Tipo 2 (ENH) é sistêmica e ocorre principalmente em pacientes com alta carga bacilar (Virchowianos e Borderline-Virchowianos). O quadro clínico clássico inclui nódulos eritematosos dolorosos, febre, artralgia e mal-estar geral. O manejo correto é crucial para evitar danos neurais permanentes. Enquanto a Reação Tipo 1 responde bem a corticosteroides (Prednisona), a Reação Tipo 2 tem na talidomida sua principal arma terapêutica. É fundamental que o médico residente compreenda que a poliquimioterapia (PQT) não é a causa da reação e não deve ser suspensa, pois a eliminação dos bacilos é necessária para a resolução definitiva do quadro.
A Reação Tipo 1 (Reversa) envolve hipersensibilidade celular, com piora de lesões pré-existentes e neurites, sendo comum em formas paucibacilares. A Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico) é mediada por imunocomplexos, apresenta nódulos subcutâneos dolorosos e sintomas sistêmicos como febre, sendo típica de formas multibacilares.
A talidomida possui potente ação anti-inflamatória e imunomoduladora, agindo especificamente na inibição do TNF-alfa, que está elevado no Eritema Nodoso Hansênico. É o padrão-ouro para o controle dos sintomas sistêmicos e cutâneos desta reação.
Devido ao alto risco de teratogenicidade (focomelia), o uso de talidomida em mulheres em idade fértil é rigorosamente controlado e geralmente evitado, exigindo métodos contraceptivos duplos e termos de consentimento, ou substituição por corticoides em doses altas.
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