CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Assinale a alternativa que contenha uma possível indicação de transplante autólogo de mucosa oral com glândulas salivares para o fundo de saco conjuntiva!:
Olho seco cicatricial grave (ex: Stevens-Johnson) → Transplante de mucosa oral com glândulas salivares.
O transplante autólogo de mucosa oral contendo glândulas salivares menores é indicado para casos graves de olho seco cicatricial, visando fornecer lubrificação basal e reconstruir a superfície conjuntival.
O manejo do olho seco cicatricial grave é um dos maiores desafios da oftalmologia. Em doenças como o eritema multiforme maior, a destruição da unidade funcional da superfície ocular é quase completa. O transplante de mucosa oral com glândulas salivares menores oferece uma fonte endógena e constante de umidade. Embora a saliva tenha uma composição diferente da lágrima natural (sendo mais hipotônica e contendo amilase), ela é capaz de manter a córnea úmida e reduzir a dor e o desconforto. A seleção criteriosa do paciente e a técnica cirúrgica refinada para evitar a retração do enxerto são essenciais para o sucesso a longo prazo.
O eritema multiforme maior, frequentemente associado à Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) ou Necrólise Epidérmica Tóxica (NET), é uma reação de hipersensibilidade grave que afeta a pele e as mucosas. No olho, causa uma inflamação conjuntival aguda devastadora, levando à formação de simbléfaro (adesão entre as pálpebras e o globo ocular), destruição das células caliciformes e das glândulas lacrimais principais e acessórias. O resultado final é uma fase cicatricial com olho seco extremo, ceratinização da superfície ocular e opacidade corneana, exigindo intervenções complexas para a preservação da visão.
A técnica envolve a colheita de um enxerto de mucosa da face interna do lábio ou bochecha do próprio paciente, garantindo que glândulas salivares menores sejam incluídas no tecido. Esse enxerto é então transplantado para o fundo de saco conjuntival (fórnice). As glândulas salivares transplantadas continuam a secretar um fluido seromucoso que ajuda a lubrificar a superfície ocular, reduzindo o atrito e a dessecação da córnea. Além da lubrificação, a mucosa oral serve como um substituto estrutural para a conjuntiva perdida, ajudando a reconstruir os fórnices e permitindo melhor mobilidade ocular.
As principais indicações são condições cicatriciais graves da superfície ocular que resultam em olho seco aquoso severo e perda dos fórnices conjuntivais. Isso inclui a fase cicatricial do eritema multiforme maior/SSJ, o penfigoide ocular cicatricial, queimaduras químicas graves e outras formas de ceratoconjuntivite seca terminal onde as terapias convencionais (colírios, oclusão de pontos lacrimais, soro autólogo) falharam. O objetivo não é apenas a lubrificação, mas a estabilização da superfície para evitar a perfuração corneana e, em alguns casos, preparar o olho para um futuro transplante de córnea ou ceratoprótese.
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