HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Adolescente de 13 anos apresenta lesões eritematosas em alvo ("target"), principalmente em dorso das mãos e pés, algumas com centro purpúrico. Há história de infecção respiratória recente por Mycoplasma pneumoniae. Não há comprometimento mucoso. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
Lesões em alvo + Mycoplasma + sem mucosa = Eritema Multiforme Minor → Tratar causa + suporte.
O Eritema Multiforme é uma reação de hipersensibilidade frequentemente gatilhada por infecções (HSV ou Mycoplasma), caracterizada por lesões em alvo típicas.
O Eritema Multiforme (EM) é uma síndrome cutânea aguda, mediada imunologicamente, que se apresenta como um espectro de gravidade. Atualmente, o EM é considerado uma entidade distinta da Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e da Necrólise Epidérmica Tóxica (NET). Enquanto SSJ/NET são quase exclusivamente causadas por medicamentos, o EM é desencadeado por agentes infecciosos em até 90% dos casos, sendo o vírus Herpes Simples (HSV) o mais comum, seguido pelo Mycoplasma pneumoniae. O diagnóstico é clínico, baseado na morfologia das lesões em alvo. O EM Minor envolve apenas a pele ou mínimo acometimento de uma mucosa, enquanto o EM Major apresenta acometimento grave de duas ou mais mucosas (oral, ocular ou genital). No contexto do Mycoplasma, o tratamento da pneumonia ou traqueobronquite subjacente é essencial para interromper a cascata inflamatória. O prognóstico é excelente na maioria dos casos, com resolução espontânea das lesões cutâneas em 2 a 4 semanas, sem deixar cicatrizes, embora a hiperpigmentação pós-inflamatória possa persistir por meses.
A lesão em alvo (ou em íris) típica do Eritema Multiforme consiste em três zonas concêntricas bem definidas: um centro escuro, purpúrico ou crostoso (que pode apresentar uma vesícula central); uma zona intermediária anelar mais clara e edematosa; e um anel externo eritematoso. Essas lesões costumam aparecer de forma súbita e simétrica, com predileção pelas extremidades, como o dorso das mãos, palmas, plantas e pés. A presença dessas lesões com três zonas é o marco diagnóstico patognomônico, diferenciando o Eritema Multiforme de outras farmacodermias, urticárias ou exantemas virais inespecíficos que apresentam apenas duas zonas (alvos atípicos).
O Mycoplasma pneumoniae é o segundo gatilho infeccioso mais comum para o Eritema Multiforme, sendo a principal causa bacteriana, especialmente em crianças e adultos jovens. A patogênese envolve uma resposta imunológica mediada por células (hipersensibilidade tipo IV) contra antígenos do patógeno que se depositam nos queratinócitos. Frequentemente, o quadro cutâneo surge cerca de 7 a 10 dias após o início dos sintomas respiratórios (tosse, febre, mal-estar). Em alguns casos, a infecção por Mycoplasma pode causar uma variante específica chamada MIRAS (Mycoplasma-induced rash and mucositis), que foca predominantemente em mucosas.
No Eritema Multiforme Minor (sem envolvimento de mucosas), a conduta é primariamente ambulatorial e focada no tratamento da causa base e suporte sintomático. Se houver evidência de infecção por Mycoplasma pneumoniae, deve-se iniciar antibioticoterapia com macrolídeos (como azitromicina ou claritromicina) para erradicar o estímulo antigênico. O suporte cutâneo inclui o uso de anti-histamínicos para o prurido e analgésicos se houver dor. O uso de corticoides sistêmicos é controverso e geralmente reservado para casos graves ou com progressão rápida, não sendo indicado de rotina para formas leves e autolimitadas da doença.
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