Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Criança de 6 anos apresenta febre, artralgia e exantema em "asa de borboleta no rosto. Mäe refere contato com colega diagnosticado com "quinta doença". O agente etiológico mais provável é:
Eritema infeccioso (5ª doença) = Parvovírus B19 + face esbofeteada + exantema rendilhado.
O eritema infeccioso é causado pelo Parvovírus B19, caracterizando-se por uma evolução em fases: face esbofeteada, exantema rendilhado e recidivas por estímulos térmicos.
O eritema infeccioso, ou quinta doença, é uma patologia viral comum da infância causada pelo Parvovírus B19, um vírus DNA de fita simples. O vírus apresenta tropismo pelos precursores eritroides na medula óssea, ligando-se ao antígeno P do grupo sanguíneo. A patogênese do exantema e da artralgia é predominantemente imunomediada pela deposição de imunocomplexos, o que explica por que esses sintomas surgem quando a viremia já cessou. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no padrão exantemático bifásico ou trifásico. Em casos atípicos ou em grupos de risco, a sorologia (IgM e IgG) ou o PCR para DNA viral podem ser utilizados. O manejo é de suporte, com foco em antitérmicos e orientações sobre a natureza benigna e autolimitada da doença na população pediátrica geral, ressaltando a importância de evitar contato com gestantes.
O exantema do eritema infeccioso (Quinta Doença) ocorre tipicamente em três fases. A primeira é o exantema facial, conhecido como sinal da 'face esbofeteada', com eritema malar bilateral e palidez perioral. A segunda fase envolve um exantema maculopapular difuso em tronco e membros que evolui para um aspecto rendilhado ou reticulado à medida que clareia centralmente. A terceira fase é marcada por recidivas do exantema por semanas, desencadeadas por calor, luz solar, exercício físico ou estresse emocional.
Embora benigno na maioria das crianças, o Parvovírus B19 é perigoso para gestantes (risco de hidropisia fetal e óbito fetal por anemia grave), pacientes com anemias hemolíticas crônicas (pode causar crise aplásica transitória por infectar precursores eritroides) e indivíduos imunossuprimidos (risco de anemia crônica pura). Nesses grupos, a vigilância deve ser rigorosa após contato com casos suspeitos ou confirmados da doença.
A transmissão ocorre principalmente por via respiratória, através de perdigotos e secreções nasofaríngeas. Um ponto clínico crucial é que, quando o exantema (fase imunomediada) aparece, a criança geralmente já não é mais infectante. Portanto, o isolamento escolar após o diagnóstico clínico do exantema costuma ser desnecessário, pois o período de maior transmissibilidade ocorre na fase prodrômica inespecífica, antes das manifestações cutâneas.
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