UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Criança, 4a, é trazida a Unidade de Emergência com queixa de tosse, coriza nasal e manchas vermelhas pelo corpo. As manchas começaram há 3 dias no rosto, na região das bochechas, confluentes, progredindo para o troco e membros. Pioram com o calor. Relata vacinação em dia. Exame físico: T= 36,6°C, FC= 98 bpm, FR= 22 irpm, Pele: exantema maculopapular em tronco e membros superiores, mais intenso em áreas descobertas e face extensora dos braços. Rosto com eritema intenso nas bochechas, poupando região perioral, nariz e testa. O AGENTE ETIOLÓGICO É:
Exantema em 'face esbofeteada' + rash maculopapular em tronco/membros que piora com calor → Eritema Infeccioso (Parvovírus B19).
A descrição clássica de eritema intenso nas bochechas com palidez perioral ('face esbofeteada') e um exantema maculopapular que se espalha para o tronco e membros, piorando com o calor, é patognomônica do Eritema Infeccioso, também conhecido como Quinta Doença. O agente etiológico responsável é o Parvovírus B19.
O Eritema Infeccioso, também conhecido como Quinta Doença, é uma doença exantemática comum na infância, causada pelo Parvovírus B19. É altamente contagiosa e se dissemina principalmente por gotículas respiratórias. Embora geralmente benigna em crianças imunocompetentes, pode ter implicações significativas em grupos específicos, como gestantes e pacientes com anemias crônicas. A compreensão de sua apresentação clínica é fundamental para o diagnóstico correto e manejo adequado. A fisiopatologia do Parvovírus B19 envolve a infecção de precursores eritroides na medula óssea, o que pode levar a uma supressão transitória da eritropoiese. Em crianças saudáveis, isso é assintomático, mas em pacientes com anemias hemolíticas crônicas (ex: anemia falciforme, esferocitose), pode precipitar uma crise aplásica transitória. O período prodrômico é leve, com sintomas inespecíficos como febre baixa, cefaleia e coriza. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na apresentação característica do exantema. O tratamento é sintomático, e a doença geralmente se resolve espontaneamente. A principal preocupação reside na prevenção da transmissão para gestantes suscetíveis e no manejo de complicações em pacientes de risco. Residentes devem dominar o diagnóstico diferencial das doenças exantemáticas, reconhecendo os padrões únicos de cada uma para evitar erros diagnósticos e garantir a orientação correta aos pais e pacientes.
O exantema do Eritema Infeccioso tipicamente ocorre em três fases: primeiro, eritema intenso nas bochechas ('face esbofeteada'); segundo, um rash maculopapular rendilhado no tronco e membros; e terceiro, fases de clareamento e recorrência do rash, que pode ser desencadeado por calor, exercício ou estresse.
Em gestantes, a infecção por Parvovírus B19 pode ser grave, especialmente no segundo trimestre, pois o vírus pode atravessar a placenta e causar anemia fetal severa, hidropsia fetal não imune e, em casos graves, óbito fetal. O rastreamento e monitoramento são importantes.
O Eritema Infeccioso se diferencia pela 'face esbofeteada' e pelo padrão rendilhado do rash. Sarampo apresenta manchas de Koplik e rash morbiliforme cefalocaudal. Rubéola tem rash maculopapular mais fino e linfadenopatia. Roséola (Herpesvírus 6) é caracterizada por febre alta súbita seguida de rash após a defervescência.
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