HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Pré-escolar de 3 anos de idade é levado à emergência por aparecimento de mancha avermelhada nas bochechas há 3 dias. Hoje apresentou lesões semelhantes nos membros e estava com dificuldade para deambular. A mãe nega febre. Ao exame clínico, nota-se exantema maculopapular confluente com coloração vermelho-rubra nas regiões zigomáticas, poupando região perioral, nariz e fronte, e exantema rendilhado em face extensora de membros superiores e inferiores. Restante do exame físico sem alterações. Qual é o agente etiológico causador da doença?
Face esbofeteada + exantema rendilhado em membros = Eritema Infeccioso (Parvovírus B19).
O eritema infeccioso evolui em três fases: a face esbofeteada, seguida pelo exantema rendilhado em superfícies extensoras e, por fim, a recidiva por estímulos como sol ou calor.
O Eritema Infeccioso, ou Quinta Doença, é uma exantemática viral comum na infância causada pelo Parvovírus B19. O quadro clínico é clássico, iniciando-se com o sinal da 'face esbofeteada' (eritema malar bilateral poupando a região perioral), seguido por um exantema maculopapular que evolui para um padrão rendilhado ou reticulado nos membros e tronco. Diferente de outras viroses, o exantema pode durar semanas e recidivar com exposição ao sol, calor ou estresse físico. Em adultos, a infecção frequentemente se manifesta como poliartrite simétrica de pequenas articulações, mimetizando a artrite reumatoide. O diagnóstico é clínico na maioria das vezes, mas a sorologia (IgM) ou PCR podem ser utilizados em casos atípicos ou em pacientes de risco, como gestantes e imunossuprimidos. O tratamento é de suporte, visto que a doença é autolimitada na maioria dos indivíduos hígidos.
A transmissão ocorre principalmente por via respiratória através de gotículas. O vírus tem tropismo pelos precursores eritroides na medula óssea, ligando-se ao antígeno P do grupo sanguíneo. É importante notar que, quando o exantema aparece, a criança geralmente não é mais infectante, pois o quadro é mediado por imunocomplexos, ocorrendo após a fase de viremia.
A escarlatina geralmente apresenta febre alta, faringite estreptocócica, sinal de Pastia (acentuação nas dobras) e sinal de Filatov (palidez perioral), com exantema micropapular tipo lixa. O eritema infeccioso costuma ser afebril ou com febre baixa, apresentando o padrão rendilhado e a face esbofeteada característica, sem o acometimento faríngeo típico.
Em pacientes com anemias hemolíticas crônicas (como anemia falciforme), pode causar crise aplástica transitória por parada da eritropoiese. Em gestantes susceptíveis, a infecção pode atravessar a placenta e levar à hidropisia fetal e óbito fetal devido à destruição de precursores eritroides fetais e consequente insuficiência cardíaca de alto débito.
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