CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006
A erisipela palpebral é causada por:
Erisipela palpebral → placa eritematosa com bordas bem delimitadas causada por Streptococcus pyogenes.
A erisipela é uma infecção cutânea superficial com envolvimento linfático proeminente, classicamente associada ao Streptococcus pyogenes (Grupo A).
A erisipela palpebral é uma variante clínica da erisipela cutânea que afeta a região periorbitária. É uma infecção aguda da derme caracterizada por um processo inflamatório intenso, calor, rubor e edema. O agente etiológico clássico e mais frequente é o Streptococcus pyogenes. A porta de entrada pode ser um pequeno trauma cutâneo, picada de inseto ou mesmo uma infecção adjacente como uma dacriocistite ou sinusite, embora muitas vezes não seja identificada. Fisiopatologicamente, a bactéria invade os vasos linfáticos dérmicos, causando obstrução e edema local. Na pálpebra, devido à frouxidão do tecido subcutâneo, o edema pode ser muito pronunciado, chegando a fechar a fenda palpebral. É fundamental distinguir a erisipela (superficial e bem delimitada) da celulite pré-septal (mais profunda e mal delimitada) e, principalmente, da celulite orbitária (que apresenta sinais de gravidade como proptose, dor à movimentação ocular e baixa acuidade visual). O diagnóstico é eminentemente clínico e a resposta aos antibióticos beta-lactâmicos costuma ser rápida.
O Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) possui uma série de fatores de virulência, como a estreptolisina e hialuronidase, que facilitam a disseminação superficial através dos vasos linfáticos da derme. Diferente do Staphylococcus aureus, que tende a formar abscessos localizados, o S. pyogenes causa uma inflamação difusa, porém com margens muito bem definidas e elevadas, característica patognomônica da erisipela.
A erisipela é mais superficial, envolvendo a derme superior e linfáticos, apresentando-se como uma placa eritematosa, brilhante, endurecida e com bordas nitidamente demarcadas e elevadas em relação à pele sã. A celulite pré-septal envolve tecidos subcutâneos mais profundos, as bordas são mal definidas, o eritema é menos brilhante e não há elevação característica da margem. Ambas não apresentam proptose ou limitação da motilidade ocular, o que as diferencia da celulite orbitária.
O tratamento baseia-se na antibioticoterapia sistêmica com cobertura para Streptococcus pyogenes. Penicilinas (como a Penicilina V oral ou Penicilina G procaína) ou cefalosporinas de primeira geração (como a Cefalexina) são geralmente eficazes. Em casos de alergia à penicilina, macrolídeos podem ser utilizados. O repouso e a compressa morna podem auxiliar no manejo sintomático, mas a erradicação bacteriana é o pilar principal para evitar complicações como a progressão para celulite orbitária ou fasciíte necrotizante.
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