UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2023
Em relação às infecções por estreptococos, é correto afirmar:
Erisipela/celulite: difícil diferenciação estreptococo vs estafilococo → cobertura para ambos é comum.
A distinção clínica entre erisipela (tipicamente estreptocócica) e celulite (frequentemente estafilocócica) é desafiadora. Por isso, a terapia empírica inicial muitas vezes abrange ambos os patógenos, garantindo um tratamento eficaz até a identificação do agente etiológico ou melhora clínica.
As infecções por estreptococos representam um espectro de doenças, desde condições cutâneas comuns como erisipela até quadros graves como a fascilite necrotizante e a Síndrome do Choque Tóxico Estreptocócico. A erisipela, uma celulite superficial, é classicamente associada ao Streptococcus pyogenes (Estreptococo do Grupo A), mas a dificuldade em diferenciá-la clinicamente de outras celulites (frequentemente estafilocócicas) justifica a cobertura empírica para ambos os patógenos na prática clínica, especialmente em casos de apresentação atípica ou grave. A compreensão dessas nuances é vital para o manejo adequado e a prevenção de complicações. O diagnóstico das infecções estreptocócicas baseia-se na apresentação clínica, cultura de tecidos ou sangue e testes rápidos. A fisiopatologia varia conforme a bactéria e o local da infecção, envolvendo toxinas e enzimas que promovem a disseminação. A suspeita clínica é o pilar para o diagnóstico precoce, especialmente em condições como a fascilite necrotizante, onde a dor desproporcional aos achados cutâneos e a rápida progressão são sinais de alerta. O tratamento envolve antibioticoterapia adequada, que pode ser de amplo espectro inicialmente, e medidas de suporte. Em casos de fascilite necrotizante, o desbridamento cirúrgico urgente é mandatório. A Síndrome do Choque Tóxico Estreptocócico exige terapia intensiva e, por vezes, imunoglobulina. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo crucial para residentes e estudantes dominar esses conceitos para a prática clínica e exames.
A erisipela é uma infecção mais superficial, com bordas bem demarcadas, elevadas e eritema brilhante, frequentemente na face ou membros. A celulite é mais profunda, com bordas menos definidas e eritema difuso. Contudo, na prática, a sobreposição é comum, dificultando a distinção apenas por exame físico.
A fascilite necrotizante é uma infecção grave que se espalha rapidamente pela fáscia muscular, causando necrose tecidual. A antibioticoterapia isolada é insuficiente, pois os antibióticos não penetram adequadamente no tecido necrótico. O desbridamento cirúrgico é crucial para remover o tecido inviável e controlar a progressão da infecção.
A Síndrome do Choque Tóxico Estreptocócico possui uma alta mortalidade, frequentemente acima de 30%, mesmo com tratamento. A redução da mortalidade depende da antibioticoterapia precoce, suporte hemodinâmico intensivo, remoção da fonte de infecção (se presente) e, em alguns casos, uso de imunoglobulina intravenosa.
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