UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Erasmo de 56 anos, vendedor, comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) para agendar uma consulta com seu Médico de Família e Comunidade, Dr. Flávio. No acolhimento, Erasmo informa que sente muita dor em primeira articulação metatarsofalangiana direita e isso o impede de trabalhar. Tendo em vista o quadro relatado por Erasmo, a enfermeira Júlia o encaixa em uma consulta de intercorrência com Dr. Flávio. Na consulta, Erasmo relatou quadro de dor intensa e progressiva em primeira articulação metatarsofalangiana direita de início há 16 horas. Negou trauma local, episódio semelhante prévio, febre, cirurgia local e uso de medicações, inclusive as prescritas anteriormente para seu tratamento de Hipertensão Arterial. É sedentário, etilista e nega tabagismo. Ao exame físico Dr. Flávio nota eritema, edema, em primeira articulação metatarsofalangiana direita, associado a dor a mobilização passiva e ativa com redução de amplitude de movimento e evidente assimetria com articulação contralateral. Diante do quadro clínico apresentado e considerando se tratar de uma monoartrite aguda, assinale a alternativa correta:
Gota aguda = monoartrite inflamatória, frequentemente na 1ª MTP, associada a hiperuricemia e fatores de risco CV.
A gota é uma doença inflamatória sistêmica que se manifesta como artrite aguda, geralmente em pacientes com hiperuricemia. É crucial reconhecer a forte associação da gota com comorbidades metabólicas e cardiovasculares, exigindo uma abordagem integral do paciente, não apenas o tratamento da crise aguda.
A gota é uma doença inflamatória crônica causada pelo depósito de cristais de monourato de sódio nas articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia. A crise aguda de gota, como a apresentada por Erasmo, é uma monoartrite inflamatória intensa, classicamente na primeira articulação metatarsofalangiana (podagra), mas pode afetar outras articulações. É crucial para o residente reconhecer os fatores de risco, como etilismo, obesidade, hipertensão e uso de diuréticos, que predispõem à hiperuricemia e às crises. O diagnóstico é clínico, mas a confirmação definitiva é feita pela identificação de cristais de urato no líquido sinovial. No entanto, na prática clínica, a apresentação típica e a resposta ao tratamento podem ser suficientes. É fundamental diferenciar de artrite séptica, especialmente em pacientes com fatores de risco. O manejo da gota não se restringe ao tratamento da crise aguda. Uma abordagem integral do paciente é essencial, incluindo a identificação e controle de comorbidades metabólicas e cardiovasculares (hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade), que frequentemente coexistem com a gota. A educação do paciente sobre dieta, estilo de vida e o uso de medicamentos hipouricemiantes (como alopurinol ou febuxostat) após a fase aguda são pilares para prevenir novas crises e complicações a longo prazo.
Uma crise de gota geralmente se manifesta como dor intensa, súbita e progressiva em uma única articulação, mais comumente a primeira metatarsofalangiana (podagra). A articulação fica eritematosa, edemaciada e muito sensível ao toque.
A gota e a hiperuricemia estão frequentemente ligadas a fatores de risco como obesidade, hipertensão, diabetes e dislipidemia, que são também fatores de risco para doenças cardiovasculares. A inflamação crônica da gota também pode contribuir para a aterosclerose.
O tratamento inicial de uma crise aguda de gota visa aliviar a dor e a inflamação. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou corticosteroides são as opções de primeira linha. O alopurinol não deve ser iniciado durante a crise aguda, mas sim após a resolução.
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