MedEvo Simulado — Prova 2026
Analise a imagem apresentada, que retrata a evolução de indicadores de saúde materno-infantil no Brasil entre 1986 e 2013, estratificados por quintis de riqueza (Q1 sendo os 20% mais pobres e Q5 os 20% mais ricos). O gestor de uma rede municipal de saúde, ao observar a tendência de convergência entre os pontos pretos (Q1) e os pontos azuis (Q5) ao longo das décadas, planeja ações para manter essa trajetória de redução de disparidades. Com base nos princípios doutrinários e organizativos do Sistema Único de Saúde (SUS), assinale a alternativa que descreve corretamente o conceito fundamental que justifica priorizar investimentos nos grupos representados pelos pontos pretos para alcançar os resultados demonstrados no final da série histórica.
Equidade = Tratar desigualmente os desiguais para reduzir disparidades sociais e de saúde.
A equidade é o princípio que justifica a alocação prioritária de recursos para grupos vulneráveis, visando alcançar a igualdade de resultados em saúde.
O Sistema Único de Saúde (SUS) baseia-se em três princípios doutrinários fundamentais: Universalidade, Integralidade e Equidade. A análise de séries históricas de indicadores de saúde, como a mortalidade infantil ou acesso ao pré-natal, frequentemente revela um fenômeno de convergência: enquanto os grupos mais ricos (Q5) já possuem bons indicadores, os grupos mais pobres (Q1) apresentam melhorias mais acentuadas quando políticas públicas são bem direcionadas. Essa redução da lacuna entre ricos e pobres é o sucesso prático da equidade. Ao investir proporcionalmente mais em saneamento, nutrição e atenção primária para o quintil Q1, o gestor público não está violando a universalidade, mas sim aplicando a justiça social necessária para que o sistema seja verdadeiramente eficaz. A equidade é, portanto, a ferramenta operacional para se atingir a justiça distributiva na saúde pública brasileira.
A equidade é um princípio doutrinário do SUS que reconhece que, embora todos os cidadãos tenham direito à saúde (universalidade), as necessidades de saúde não são iguais para todos. Ela fundamenta a 'discriminação positiva', ou seja, oferecer mais recursos e atenção a quem mais precisa (os mais vulneráveis ou desfavorecidos socialmente). O objetivo final da equidade é diminuir as desigualdades injustas e evitáveis, garantindo que o ponto de chegada (o nível de saúde) seja o mais uniforme possível entre a população.
A Universalidade garante que o sistema de saúde esteja aberto a todos os cidadãos, sem barreiras de acesso. É o direito de todos. Já a Equidade diz respeito à forma como esse acesso é distribuído e priorizado. Enquanto a universalidade diz 'todos podem entrar', a equidade diz 'vamos priorizar o atendimento e o investimento para aqueles que estão em situações de maior risco ou carência', para que eles possam atingir o mesmo patamar de saúde dos demais.
Na prática gestora, a equidade se manifesta através da alocação de orçamentos maiores para áreas com piores indicadores socioeconômicos, implantação de unidades de saúde em periferias, programas específicos para populações marginalizadas (como população de rua ou quilombolas) e estratégias de busca ativa em quintis de menor renda. Essas ações visam compensar os determinantes sociais negativos que impactam a saúde desses grupos.
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