CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Mulher de 25 anos de idade apresenta-se com perda visual bilateral e fotopsias. Ao exame ocular havia reação celular moderada de câmara anterior; e, na mácula, lesões arredondadas, branco-amareladas, profundas e bem definidas. A angiofluoresceinografia demonstrava lesões maculares inicialmente hipofluorescentes que se tornavam hiperfluorescentes em fases tardias. Evoluiu com melhora espontânea após 5 semanas. Qual o diagnóstico mais provável?
APMPPE → Lesões placoides + FA hipo inicial/hiper tardia + resolução espontânea em semanas.
A APMPPE é uma coroidopatia inflamatória idiopática que afeta adultos jovens, caracterizada por lesões placoides profundas e um padrão angiográfico clássico de bloqueio de fluorescência inicial seguido por impregnação tardia.
A Epiteliopatia Placoide Pigmentar Multifocal Posterior Aguda (APMPPE) faz parte do espectro das 'White Dot Syndromes'. Sua fisiopatologia exata permanece em debate, mas acredita-se que envolva uma hipoperfusão primária da coriocapilar que secundariamente afeta o epitélio pigmentado da retina (EPR). Clinicamente, o paciente apresenta perda visual súbita e fotopsias. O exame de fundo de olho revela múltiplas lesões branco-amareladas, profundas e sub-retinianas no polo posterior. O manejo é predominantemente observacional, dado o caráter autolimitado da doença, embora o uso de corticosteroides possa ser considerado em casos com envolvimento foveal grave.
O achado clássico na angiofluoresceinografia (AFG) para a APMPPE é o fenômeno de 'block early, stain late'. Nas fases iniciais do exame, as lesões placoides agudas bloqueiam a fluorescência de fundo da coroide (hipofluorescência). Nas fases tardias, ocorre uma impregnação lenta do corante nas lesões, resultando em hiperfluorescência. Este padrão é fundamental para diferenciar a condição de outras coroidopatias e reflete o insulto ao epitélio pigmentado da retina e aos capilares da coroide subjacente.
A APMPPE afeta tipicamente adultos jovens, entre a segunda e quarta décadas de vida, sem predileção clara por sexo. Frequentemente, os pacientes relatam um pródromo viral precedendo os sintomas oculares. O prognóstico visual é geralmente excelente, com a maioria dos pacientes apresentando recuperação espontânea da acuidade visual e resolução das lesões retinianas em um período de 4 a 8 semanas, embora alterações residuais no epitélio pigmentado da retina possam persistir.
A diferenciação é crucial devido ao prognóstico. A APMPPE é autolimitada, bilateral e as lesões costumam resolver sem deixar cicatrizes atróficas graves. Já a Coroidite Serpiginosa é uma doença crônica, recorrente, que progride de forma centrífuga a partir do disco óptico, resultando em destruição permanente da coriocapilar e do EPR, exigindo frequentemente terapia imunossupressora agressiva, ao contrário da conduta expectante na maioria dos casos de APMPPE.
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