CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2015
Homem de 30 anos de idade, sem doenças de base, refere perda visual aguda e unilateral. Ao exame, apresenta discreta reação de câmara anterior, vitreíte leve e fundo de olho e angiofluoresceinografia (fase precoce acima e tardia abaixo) conforme evidenciados nas imagens abaixo. Evoluiu com melhora espontânea. Qual o diagnóstico mais provável?
APMPPE → Lesões placoides amareladas + 'Block early, stain late' na angiofluoresceinografia.
A APMPPE é uma doença inflamatória idiopática que causa perda visual súbita por lesões no epitélio pigmentado da retina, apresentando curso geralmente autolimitado e favorável.
A APMPPE faz parte do espectro das 'White Dot Syndromes'. A fisiopatologia exata ainda é debatida, mas acredita-se que envolva uma hipoperfusão primária da coriocapilar com insulto secundário ao EPR. O diagnóstico diferencial inclui a coroidite serpiginosa (lesões centrífugas a partir do disco óptico), a síndrome de múltiplos pontos brancos evanescentes (MEWDS) e a coroidite de Birdshot. A melhora espontânea mencionada no enunciado é um forte indício para APMPPE em comparação com processos infecciosos ou inflamatórios crônicos.
A Epiteliopatia Pigmentar Placoide Multifocal Posterior Aguda (APMPPE) é uma síndrome de pontos brancos que afeta tipicamente adultos jovens. Caracteriza-se por perda visual aguda, geralmente bilateral (embora possa começar unilateral), associada ao aparecimento de múltiplas lesões branco-amareladas, planas e placoides ao nível do epitélio pigmentado da retina (EPR) e coriocapilar no polo posterior. Frequentemente há um pródromo viral precedendo os sintomas oculares.
O padrão angiográfico característico da APMPPE é descrito como 'block early, stain late'. Nas fases precoces do exame, as lesões placoides bloqueiam a fluorescência da coróide (hipofluorescência por efeito máscara ou não perfusão da coriocapilar). Nas fases tardias, ocorre uma impregnação gradual das lesões, resultando em hiperfluorescência. Esse padrão é fundamental para diferenciar a APMPPE de outras coroidopatias.
O prognóstico visual da APMPPE é geralmente excelente, com a maioria dos pacientes recuperando a acuidade visual basal em semanas ou meses à medida que as lesões regridem espontaneamente, deixando alterações pigmentares residuais. Por ser uma condição autolimitada, o tratamento geralmente não é necessário. No entanto, em casos raros com envolvimento foveal grave ou vasculite do SNC associada, o uso de corticosteroides sistêmicos pode ser considerado.
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