CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2022
Ordene as três denominações celulares encontradas no epitélio da córnea, iniciando pelo mais superficial, seguido do intermediário e do profundo.
Epitélio corneano (superficial → profundo) = Plana → Alada (Wing) → Basal.
O epitélio da córnea é um epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, composto por 5 a 7 camadas celulares organizadas em três tipos morfológicos distintos conforme a profundidade.
O epitélio corneano é a camada mais externa da córnea, medindo aproximadamente 50 micra. Sua estrutura é fundamental para a manutenção da homeostase ocular e da qualidade visual. A camada basal é a única capaz de realizar mitose, fixando-se à membrana de Bowman através de hemidesmossomos. Clinicamente, o conhecimento desta estratificação auxilia na compreensão de patologias como erosões recorrentes, onde há falha na adesão basal, e no manejo de ceratites, onde a integridade das junções das células planas superficiais é rompida. A transição morfológica de basal para plana reflete o processo de maturação celular terminal.
As células aladas, ou wing cells, representam a camada intermediária do epitélio corneano. Elas possuem um formato convexo anterior e côncavo posterior, assemelhando-se a 'asas'. Sua principal função é atuar na transição morfológica entre as células basais colunares e as células planas superficiais. Elas são formadas a partir da diferenciação das células basais que migram em direção à superfície. Durante esse processo, elas começam a expressar diferentes queratinas e a formar junções intercelulares complexas, como desmossomos, que garantem a integridade estrutural e a barreira protetora da córnea contra patógenos e dessecação.
A renovação epitelial segue o conceito XYZ de Thoft. As células basais (Z) sofrem mitose e migram verticalmente para se tornarem células aladas e depois planas (Y), enquanto células-tronco no limbo (X) migram centripetamente para repor a camada basal. Este processo é contínuo e vital para manter a transparência e a regularidade da superfície óptica. Em condições normais, o epitélio completo é renovado a cada 7 a 10 dias. Falhas nesse mecanismo, como na deficiência límbica, levam à conjuntivalização da córnea e perda de visão.
As células superficiais são achatadas (planas) para otimizar a regularidade da superfície óptica e facilitar a interação com o filme lacrimal. Elas apresentam microvilosidades e micropregas (microplicae) em sua membrana apical, que aumentam a área de superfície e ajudam na ancoragem das mucinas da lágrima. Além disso, essas células são unidas por zônulas de oclusão (tight junctions), que formam uma barreira semipermeável altamente eficaz, impedindo a entrada de microrganismos e o fluxo descontrolado de fluidos para o estroma corneano.
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