EHH Pós-Vacinal: Conduta e Substituição pela DTPa

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Lorenzo, com 2 meses de idade, foi levado à Unidade Básica de Saúde para receber as vacinas do calendário oficial: Pentavalente (DTP+HB+Hib), VIP (Poliomielite inativada), Pneumocócica 10-valente e Rotavírus. Cerca de cinco horas após a aplicação, sua mãe notou que o lactente ficou subitamente pálido, com o corpo 'mole' (perda de tônus muscular) e não respondia aos estímulos táteis ou sonoros habituais, embora mantivesse a respiração regular. O quadro durou aproximadamente 20 minutos e houve recuperação espontânea completa, sem registro de febre ou movimentos anormais. Atualmente, aos 4 meses, Lorenzo retorna à unidade para a segunda dose do esquema vacinal. Diante do evento ocorrido na primeira dose, a conduta adequada para a vacina pentavalente é:

Alternativas

  1. A) Administrar a vacina Pentavalente (DTP+HB+Hib) de células inteiras, associada ao uso preventivo de antitérmicos e observação clínica por 48 horas.
  2. B) Contraindicar definitivamente o componente Pertussis para este paciente, prescrevendo a vacina Dupla Infantil (DT) em substituição à Pentavalente.
  3. C) Substituir a vacina Pentavalente pela vacina DTPa (acelular), mantendo as demais vacinas do calendário (VIP, Pneumo-10 e Rotavírus) conforme o cronograma.
  4. D) Suspender a vacinação contra coqueluche e poliomielite temporariamente, aguardando a estabilização neurológica após o primeiro ano de vida.

Pérola Clínica

EHH após Pentavalente → Substituir por DTPa (acelular) nas doses subsequentes.

Resumo-Chave

O Episódio Hipotônico Hiporresponsivo (EHH) é um evento adverso não alérgico associado ao componente pertussis de células inteiras. A conduta correta é a substituição pela vacina acelular (DTPa) para completar o esquema.

Contexto Educacional

O Episódio Hipotônico Hiporresponsivo (EHH) é um dos eventos adversos pós-vacinação (EAPV) que mais gera dúvidas na atenção primária. Ocorre predominantemente em lactentes jovens após a primeira dose da vacina contendo o componente pertussis de células inteiras. Segundo o Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação do Ministério da Saúde, o EHH não é uma contraindicação à vacinação futura, mas sim uma indicação de modificação do esquema. A criança deve receber as doses subsequentes com a vacina DTPa (acelular), que é menos reatogênica. É fundamental tranquilizar a família sobre a natureza benigna e transitória do quadro, garantindo a manutenção da cobertura vacinal.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o Episódio Hipotônico Hiporresponsivo (EHH)?

O EHH é uma síndrome clínica que ocorre geralmente nas primeiras 48 horas após a vacinação (frequentemente após a DTP). É caracterizado por uma tríade: perda súbita de tônus muscular (hipotonia), palidez ou cianose e diminuição ou ausência de resposta a estímulos (hiporresponsividade). Apesar de assustador para os pais, é um quadro autolimitado, de curta duração (minutos a horas) e que não deixa sequelas neurológicas.

Qual componente da vacina causa o EHH?

O EHH está classicamente associado ao componente Pertussis de células inteiras (wP), presente na vacina Pentavalente do PNI e na DTP. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas sabe-se que a substituição pelo componente Pertussis acelular (DTPa) reduz drasticamente o risco de recorrência do evento, permitindo a continuidade da imunização contra coqueluche, tétano e difteria.

Quando a vacina contra coqueluche deve ser contraindicada?

A contraindicação absoluta para qualquer componente pertussis (seja celular ou acelular) ocorre apenas se a criança apresentar encefalopatia nos primeiros 7 dias após a dose anterior. Para outros eventos graves, como o EHH ou convulsões febris/afebris nas primeiras 72 horas, a conduta é substituir a vacina de células inteiras pela acelular (DTPa), disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

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