Eventos Adversos Vacinais: Manejo do Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Daniel, 2 meses e 1 dia de vida, chegou à Unidade de Saúde da Família pálido, com perda de tônus muscular e “desfalecido”. Mãe relata que a criança recebeu vacinas dos 2 meses de idade ontem e vinha tendo muita irritabilidade e febre, que iniciaram poucas horas após a vacinação. Após avaliação, chegou-se ao diagnóstico de evento adverso relacionado à vacina. Podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) A criança teve um episódio hipotônico-hiporresponsivo decorrente da vacina pentavalente, possivelmente desencadeada pelo toxoide tetânico.
  2. B) Deve ser contraindicada vacina contra o Haemophilus influenzae do tipo b aos quatro meses de idade.
  3. C) Deve receber a vacina DTP acelular aos quatro meses.
  4. D) A criança, provavelmente, teve uma crise convulsiva febril, o que não contraindica a vacinação rotineira aos quatro meses de idade.
  5. E) Deve ser contraindicada vacina contra a Hepatite B aos quatro meses de idade.

Pérola Clínica

EHH pós-vacina DTP → Próximas doses DTPa (acelular) são indicadas, não contraindicadas.

Resumo-Chave

Um episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH) após a vacina DTP (componente de célula inteira da pentavalente) não contraindica doses futuras de DTPa (acelular). A DTPa tem menor reatogenicidade e é a opção segura para completar o esquema vacinal, garantindo a proteção contra difteria, tétano e coqueluche.

Contexto Educacional

Eventos adversos pós-vacinação são reações indesejáveis que podem ocorrer após a administração de uma vacina. Embora a maioria seja leve e autolimitada (febre, dor local), alguns eventos são mais sérios, como o Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo (EHH). O EHH é caracterizado por palidez, perda de tônus muscular e hiporresponsividade, geralmente ocorrendo nas primeiras 48 horas após a vacinação, sendo mais frequentemente associado ao componente pertussis de célula inteira (P) da vacina DTP. A vacina pentavalente, administrada aos 2, 4 e 6 meses, inclui o componente DTP de célula inteira. O EHH, embora assustador para os pais, é um evento benigno e autolimitado, sem sequelas a longo prazo. É crucial diferenciar o EHH de uma crise convulsiva febril, que tem características clínicas distintas. A ocorrência de um EHH após a vacina DTP não constitui uma contraindicação para as doses subsequentes das vacinas do calendário. No entanto, para as doses futuras de DTP, é recomendado o uso da vacina DTP acelular (DTPa), que possui um perfil de segurança superior e menor reatogenicidade, garantindo a proteção contra difteria, tétano e coqueluche sem expor a criança a riscos desnecessários de repetição do EHH.

Perguntas Frequentes

O que é um Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo (EHH) e qual sua relação com a vacinação?

EHH é um evento adverso raro, mas conhecido, caracterizado por palidez, perda de tônus muscular e hiporresponsividade, que ocorre geralmente nas primeiras 48 horas após a vacinação, principalmente com vacinas contendo o componente pertussis de célula inteira (DTP).

Qual componente da vacina pentavalente está mais associado ao EHH?

O componente pertussis de célula inteira (P) da vacina DTP é o mais associado ao EHH. Por isso, em casos de EHH, as doses subsequentes devem ser com a vacina DTP acelular (DTPa), que tem menor reatogenicidade.

Um EHH contraindica futuras vacinas?

Não, um EHH não contraindica a vacinação futura. Para as doses subsequentes de DTP, deve-se utilizar a vacina DTPa (acelular), que é mais segura. As demais vacinas do calendário não são afetadas por este evento.

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