Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo (EHH): Conduta Vacinal

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Letícia, uma lactente de 5 meses de idade, é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde para a atualização do calendário vacinal. Durante a anamnese, a mãe relata que, aproximadamente quatro horas após receber as vacinas do quarto mês (Pentavalente, VIP, Pneumocócica 10-valente e Rotavírus), a criança apresentou um quadro súbito de palidez cutânea intensa, moleza generalizada e parecia não responder a estímulos dolorosos ou verbais. O episódio durou cerca de 45 minutos, com recuperação espontânea completa, sem febre ou movimentos involuntários associados. Na ocasião, a mãe não procurou o serviço de emergência, pois a criança voltou ao normal logo em seguida. Atualmente, Letícia apresenta exame físico normal e desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade. Diante do evento adverso descrito e considerando a necessidade de administrar as vacinas de 6 meses de idade, a conduta correta para as próximas doses do esquema de imunização é:

Alternativas

  1. A) Encaminhar a lactente para avaliação com neuropediatra e realizar eletroencefalograma antes de proceder com qualquer vacinação, devido ao risco de encefalopatia pós-vacinal.
  2. B) Considerar o evento como uma convulsão febril atípica e manter o esquema vacinal com a vacina Pentavalente de rotina, orientando o uso profilático de antitérmicos nas próximas 48 horas.
  3. C) Notificar o evento como Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo (EHH) e substituir a vacina DTP (componente da Pentavalente) pela vacina DTP acelular (DTPa) nas doses subsequentes.
  4. D) Contraindicar formalmente qualquer vacina que contenha o componente pertussis (seja de células inteiras ou acelular), mantendo apenas as vacinas contra Difteria, Tétano, Hepatite B e Hib isoladamente.

Pérola Clínica

EHH pós-Pentavalente → Substituir DTP (celular) por DTPa (acelular) nas próximas doses.

Resumo-Chave

O Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo é um evento adverso associado ao componente pertussis de células inteiras; a conduta correta é a substituição pela vacina acelular (DTPa).

Contexto Educacional

O Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo (EHH) é um dos eventos adversos mais impactantes visualmente para os pais, mas clinicamente benigno a longo prazo. Ele ocorre predominantemente após a primeira ou segunda dose de vacinas contendo Bordetella pertussis de células inteiras. A incidência estimada é de 35 a 100 casos por 100.000 doses distribuídas. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) orienta que, diante de um caso de EHH, a notificação é obrigatória e as doses subsequentes que conteriam a DTP (dentro da Pentavalente) devem ser realizadas com a DTPa (acelular), disponível nos CRIEs. É fundamental diferenciar o EHH de convulsões (que não apresentam hipotonia flácida) e de anafilaxia (que apresenta sinais respiratórios ou cutâneos alérgicos), pois as condutas divergem significativamente.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo (EHH)?

O EHH é um evento adverso que ocorre geralmente nas primeiras 48 horas após a vacinação (frequentemente após a Pentavalente). Caracteriza-se por uma tríade clínica: perda súbita do tônus muscular (hipotonia), redução da resposta a estímulos (hiporresponsividade) e alteração da cor da pele (palidez ou cianose). O quadro é autolimitado, durando de minutos a poucas horas, e não deixa sequelas neurológicas.

Qual componente da vacina causa o EHH?

O principal responsável pelo EHH é o componente pertussis de células inteiras (wP), presente na vacina Pentavalente da rede pública. Embora o mecanismo exato não seja totalmente compreendido, a transição para o componente pertussis acelular (aP) reduz significativamente a incidência desse evento, mantendo a eficácia vacinal contra a coqueluche.

O EHH contraindica a vacinação contra coqueluche?

Não. O EHH não é uma contraindicação absoluta à vacinação contra coqueluche, mas sim uma indicação para a substituição da vacina de células inteiras pela vacina acelular (DTPa). A criança deve continuar o esquema vacinal no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) para garantir a proteção contra difteria, tétano e coqueluche.

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