Episiotomia no Parto: Quando e Por Que Evitar a Rotina

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Sobre o parto pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) a Manobra de Kristeller é um procedimento útil para se abreviar o período expulsivo e garantir a vitalidade do concepto, sem danos maternos devido a sua segurança.
  2. B) a episiotomia reduz a probabilidade de lacerações perineais graves, por isso deve ser realizada de rotina em todos os partos.
  3. C) o partograma é a representação gráfica do trabalho de parto e deve ser aberto assim que a paciente é internada na emergência obstétrica.
  4. D) deve-se traçar a linha de ação 5 horas após a linha de alerta.
  5. E) não há diferença nos resultados perinatais nem redução da incidência de asfixia nos partos com episiotomia seletiva versus episiotomia de rotina.

Pérola Clínica

Episiotomia de rotina não melhora resultados perinatais nem reduz asfixia fetal.

Resumo-Chave

A episiotomia de rotina é uma prática desaconselhada pelas evidências atuais, pois não oferece benefícios significativos em comparação com a episiotomia seletiva e pode aumentar o risco de complicações maternas. A Manobra de Kristeller também é contraindicada devido aos riscos maternos e fetais.

Contexto Educacional

O manejo do parto é um tema crucial na obstetrícia, com constantes atualizações baseadas em evidências para otimizar os resultados maternos e perinatais. Práticas como a Manobra de Kristeller e a episiotomia de rotina, outrora comuns, são hoje desaconselhadas devido aos riscos associados e à falta de benefício comprovado. A compreensão das indicações e contraindicações de cada intervenção é fundamental para a segurança da paciente. A Manobra de Kristeller, por exemplo, envolve a aplicação de pressão fúndica para auxiliar na expulsão fetal, mas está associada a um aumento significativo de complicações maternas (ruptura uterina, lacerações) e fetais (trauma, asfixia). Da mesma forma, a episiotomia de rotina não se mostrou superior à episiotomia seletiva na prevenção de lacerações graves e pode levar a maior dor pós-parto, infecção e dispareunia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma taxa de episiotomia não superior a 10%. O partograma é uma ferramenta essencial para o monitoramento do trabalho de parto, permitindo a identificação precoce de distócias. Sua abertura deve ocorrer na fase ativa do trabalho de parto, e as linhas de alerta e ação servem para indicar a necessidade de reavaliação e intervenção. A linha de ação é traçada 4 horas após a linha de alerta, e não 5 horas, como mencionado na alternativa incorreta. A adoção de práticas baseadas em evidências, como o uso seletivo da episiotomia e o monitoramento adequado do partograma, contribui para um parto mais seguro e humanizado.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos da Manobra de Kristeller?

A Manobra de Kristeller está associada a riscos maternos como lacerações perineais, ruptura uterina e inversão uterina, além de riscos fetais como fraturas e asfixia, sendo contraindicada pelas principais diretrizes.

Por que a episiotomia de rotina não é recomendada?

A episiotomia de rotina não demonstrou reduzir a incidência de lacerações perineais graves ou melhorar os resultados perinatais, e pode aumentar o risco de dor, infecção, dispareunia e lacerações de 3º e 4º graus.

Quando o partograma deve ser aberto?

O partograma deve ser aberto na fase ativa do trabalho de parto, ou seja, com dilatação cervical de 5 cm ou mais em nulíparas e 4 cm ou mais em multíparas, e contrações uterinas efetivas.

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