Episiotomia: Complicações e Evidências Atuais no Parto

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Sobre o procedimento de episiotomia médio-lateral direita no parto vaginal, qual das alternativas abaixo corresponde a assertiva correta com base em evidências científicas atuais?

Alternativas

  1. A) Não constitui fator de risco para incontinência urinária de esforço no pós-menopausa;
  2. B) Deve ser realizada rotineiramente;
  3. C) Sua realização precoce no período expulsivo reduz o tempo de evolução ao parto vaginal;
  4. D) Deiscências da ferida, abscessos e fístulas são complicações possíveis;
  5. E) Deve ser realizada rotineiramente em todo parto vaginal de gestantes primigestas.

Pérola Clínica

Episiotomia NÃO é rotina; associada a complicações como deiscência, abscesso e fístula; não previne incontinência urinária.

Resumo-Chave

A episiotomia médio-lateral, embora comum no passado, não deve ser realizada rotineiramente, pois as evidências atuais mostram que ela não oferece benefícios consistentes e está associada a diversas complicações. Complicações como deiscência da ferida, formação de abscessos e fístulas são riscos conhecidos do procedimento.

Contexto Educacional

A episiotomia é uma incisão cirúrgica realizada no períneo durante o segundo estágio do trabalho de parto para ampliar o óstio vaginal. Historicamente, foi amplamente utilizada de forma rotineira, sob a crença de que prevenia lacerações perineais graves, protegia o assoalho pélvico e reduzia o tempo do período expulsivo. No entanto, as evidências científicas atuais refutaram a maioria dessas crenças, levando à recomendação de seu uso restrito e seletivo. A fisiopatologia das complicações da episiotomia está relacionada ao trauma tecidual, à interrupção da integridade muscular e à cicatrização. Ao invés de prevenir lacerações, a episiotomia pode aumentar o risco de lacerações de terceiro e quarto graus, que se estendem ao esfíncter anal e reto, respectivamente. Além disso, não há evidências de que previna a incontinência urinária ou prolapso de órgãos pélvicos a longo prazo. As complicações da episiotomia incluem dor perineal intensa no pós-parto, dispareunia, infecção da ferida, deiscência da sutura, formação de abscessos e, em casos mais graves, fístulas retovaginais ou vesicovaginais. O manejo atual preconiza a episiotomia seletiva, ou seja, realizada apenas quando há uma indicação clínica clara, como sofrimento fetal agudo, apresentação pélvica ou necessidade de uso de fórceps/vácuo extrator. A recuperação pós-parto é geralmente melhor com a preservação do períneo intacto ou com lacerações espontâneas de primeiro e segundo graus.

Perguntas Frequentes

A episiotomia deve ser realizada rotineiramente em partos vaginais?

Não, as evidências científicas atuais desaconselham a realização rotineira da episiotomia. Ela deve ser restrita a casos com indicações específicas, como sofrimento fetal agudo ou necessidade de abreviar o período expulsivo.

Quais são as principais complicações associadas à episiotomia?

As complicações possíveis da episiotomia incluem dor pós-parto, infecção da ferida, deiscência da sutura, formação de abscessos, fístulas retovaginais ou vesicovaginais, e aumento do risco de lacerações perineais mais graves.

A episiotomia previne a incontinência urinária de esforço no pós-menopausa?

Não, estudos mostram que a episiotomia não previne a incontinência urinária de esforço e, em alguns casos, pode até aumentar o risco de disfunções do assoalho pélvico a longo prazo, incluindo incontinência urinária e fecal.

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