Episiotomia: Riscos, Indicações e Trauma do Esfíncter Anal

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2022

Enunciado

Em relação às episiotomias, qual das seguintes afirmações é verdadeira?

Alternativas

  1. A) Elas aumentam a incidência de trauma de esfíncter anal.
  2. B) Elas devem ser indicadas rotineiramente no parto de gestantes nulíparas.
  3. C) Elas são equivalentes a uma laceração espontânea de primeiro grau.
  4. D) O uso da episiotomia seletiva se relaciona a mais trauma de esfíncter anal quando comparado à episiotomia rotineira.

Pérola Clínica

Episiotomia rotineira ↑ risco de lacerações graves e disfunção do assoalho pélvico.

Resumo-Chave

A episiotomia, especialmente a rotineira, não oferece benefícios consistentes e está associada a um aumento do risco de lacerações perineais mais graves, incluindo trauma do esfíncter anal, e complicações a longo prazo no assoalho pélvico, como incontinência.

Contexto Educacional

A episiotomia é uma incisão cirúrgica do períneo realizada durante o segundo estágio do trabalho de parto para ampliar o introito vaginal. Historicamente, foi amplamente utilizada de forma rotineira, sob a crença de que prevenia lacerações perineais graves, protegia o assoalho pélvico e reduzia o risco de disfunção. No entanto, evidências científicas robustas nas últimas décadas refutaram essa prática, levando à recomendação de episiotomia seletiva. A fisiopatologia do trauma perineal durante o parto envolve a distensão excessiva dos tecidos moles. A episiotomia, ao criar uma incisão, pode, paradoxalmente, aumentar o risco de lacerações mais graves. Isso ocorre porque a incisão pode se estender de forma incontrolável, especialmente a episiotomia mediana, levando a lacerações de terceiro e quarto graus que envolvem o esfíncter anal e/ou a mucosa retal. Tais lacerações estão associadas a complicações como incontinência fecal e dor crônica. As diretrizes atuais, incluindo as da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de diversas sociedades de ginecologia e obstetrícia, recomendam que a episiotomia seja realizada de forma seletiva, ou seja, apenas em situações específicas onde há uma indicação clínica clara, como sofrimento fetal agudo, apresentação pélvica ou necessidade de abreviar o período expulsivo. A episiotomia rotineira não demonstrou benefícios e está associada a maior dor pós-parto, maior perda sanguínea, maior risco de infecção e, crucialmente, maior incidência de trauma de esfíncter anal em comparação com o manejo expectante do períneo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos associados à episiotomia?

Os principais riscos incluem aumento da dor pós-parto, maior perda sanguínea, maior risco de infecção, cicatrização dolorosa, dispareunia e, mais gravemente, aumento da incidência de lacerações perineais de terceiro e quarto graus, que envolvem o esfíncter anal.

A episiotomia rotineira é recomendada no parto vaginal?

Não, a episiotomia rotineira não é recomendada. As diretrizes atuais preconizam o uso da episiotomia seletiva, ou seja, realizada apenas quando há uma indicação clínica clara, como sofrimento fetal ou necessidade de abreviar o período expulsivo.

Como a episiotomia se relaciona com o trauma do esfíncter anal?

A episiotomia, especialmente a mediana, pode estender-se de forma incontrolável e envolver o esfíncter anal, resultando em lacerações de terceiro ou quarto grau. Estudos mostram que a episiotomia aumenta o risco dessas lacerações graves em comparação com o manejo expectante do períneo.

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