Episiotomia no Parto: Indicações e Evidências Atuais

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2020

Enunciado

Primigesta, 22 anos, em consulta pré-natal, quer saber mais informações sobre episiotomia, porque viu na televisão uma reportagem sobre violência obstétrica. Para uma orientação correta a esta paciente, o médico que atende deverá saber que: Assinale a correta:

Alternativas

  1. A)  A episiotomia mediana apresenta baixo risco para lacerações de terceiro ou quartograu e apresenta grande efeito protetor para lacerações.
  2. B)  A episiotomia pode ser realizada sem o consentimento da parturiente, não sendonecessário obter seu consentimento esclarecido antes da realização da mesma.
  3. C)  Não há evidências cientificas suficientes para definir as indicações para a episiotomia,apenas que o uso seletivo continua a ser a melhor prática a ser adotada.
  4. D)  A episiotomia realizada de forma seletiva, bem justificada, com técnica correta, ésempre necessária para evitar roturas perineais importantes.

Pérola Clínica

Episiotomia: não há evidências suficientes para indicações rotineiras; uso seletivo é a melhor prática.

Resumo-Chave

A episiotomia, procedimento cirúrgico para ampliar o óstio vaginal, não possui evidências robustas que justifiquem seu uso rotineiro. A prática atual preconiza a realização seletiva, baseada em indicações clínicas claras, e sempre com o consentimento esclarecido da parturiente.

Contexto Educacional

A episiotomia é um procedimento cirúrgico que consiste na incisão do períneo para ampliar o óstio vaginal durante o parto. Historicamente, foi amplamente utilizada de forma rotineira, sob a crença de que prevenia lacerações perineais graves e facilitava o parto. No entanto, as evidências científicas atuais refutaram essa prática, mostrando que o uso rotineiro não traz benefícios e, em muitos casos, aumenta os riscos de complicações. A fisiopatologia das lacerações perineais é complexa e multifatorial, envolvendo fatores como paridade, peso fetal, posição materna e técnica de assistência ao parto. O diagnóstico da necessidade de episiotomia deve ser feito com base em critérios clínicos rigorosos, como sofrimento fetal agudo ou risco iminente de laceração complexa, e não de forma profilática. A discussão sobre violência obstétrica ressalta a importância do consentimento informado e do respeito à autonomia da mulher. O tratamento e a conduta atual preconizam o uso seletivo da episiotomia, apenas quando estritamente indicada e com o consentimento da parturiente. A técnica médio-lateral é preferível à mediana devido ao menor risco de extensão para o esfíncter anal. O prognóstico para a maioria das mulheres com lacerações espontâneas ou episiotomias bem indicadas é bom, mas complicações como dor crônica, dispareunia e incontinência fecal podem ocorrer, especialmente com lacerações de alto grau.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações atuais para a episiotomia?

As indicações para episiotomia são restritas e seletivas, incluindo sofrimento fetal agudo com necessidade de abreviar o período expulsivo ou risco iminente de laceração perineal grave de difícil reparo. Não há indicação para uso rotineiro.

A episiotomia previne lacerações perineais graves?

Não, a episiotomia não previne lacerações perineais graves de forma universal. A episiotomia mediana, por exemplo, está associada a um risco aumentado de lacerações de terceiro e quarto graus.

É necessário o consentimento da parturiente para realizar a episiotomia?

Sim, o consentimento esclarecido da parturiente é fundamental antes de qualquer procedimento, incluindo a episiotomia. Realizá-la sem consentimento pode ser considerado violência obstétrica.

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