Episclerite: Diagnóstico Diferencial e Manejo Clínico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

Com relação às episclerites, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Opacidades corneais próximas à área da episclera acometida, quando ocorrem, costumam resolver-se sem destruição tecidual ou perfuração ocular.
  2. B) Doenças sistêmicas estão associadas a maioria dos casos.
  3. C) Crianças do sexo masculino são os pacientes mais acometidos.
  4. D) Para a diferenciação com quadro de esclerite, deve ser realizado teste com colírio de fenilefrina em concentrações superiores a 10%.

Pérola Clínica

Episclerite → autolimitada, teste fenilefrina (+) branqueamento, raramente associada a doenças sistêmicas.

Resumo-Chave

A episclerite é uma inflamação benigna e superficial. Diferencia-se da esclerite pela resposta ao colírio de fenilefrina (que branqueia os vasos episclerais) e pela ausência de dor profunda ou destruição tecidual.

Contexto Educacional

A episclerite é uma condição inflamatória comum que afeta a episclera, o tecido conjuntivo vascularizado entre a conjuntiva e a esclera. É classificada em simples (difusa) ou nodular. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória localizada que, na maioria dos casos, não requer investigação sistêmica exaustiva, a menos que seja recorrente ou atípica. O manejo clínico é geralmente conservador, utilizando lágrimas artificiais ou compressas frias. Em casos mais sintomáticos, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) tópicos ou sistêmicos podem ser empregados. É crucial que o residente domine o teste da fenilefrina para evitar diagnósticos errôneos de esclerite, que exigiria uma abordagem terapêutica muito mais agressiva com imunossupressores.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar episclerite de esclerite no exame físico?

A diferenciação baseia-se na profundidade do acometimento vascular e na sintomatologia. Na episclerite, os vasos são superficiais, têm coloração vermelho-brilhante e apresentam branqueamento após a instilação de fenilefrina 2,5% ou 10%. A dor é leve ou ausente. Já na esclerite, os vasos são profundos (plexo epiescleral profundo), possuem coloração violácea, não branqueiam com fenilefrina e a dor é intensa, profunda e muitas vezes irradia para a face, podendo haver risco de afinamento escleral e perfuração.

Qual a associação da episclerite com doenças sistêmicas?

Diferente da esclerite, onde até 50% dos casos estão associados a doenças reumatológicas sistêmicas (como Artrite Reumatoide ou Granulomatose de Wegener), a episclerite é idiopática na grande maioria das vezes (cerca de 70-80%). Embora possa ocorrer em pacientes com doenças sistêmicas, ela raramente é a manifestação inicial ou um marcador de atividade de doença grave, sendo geralmente autolimitada e de curso benigno.

Pode haver acometimento corneal na episclerite?

Sim, embora raro, podem ocorrer infiltrados corneais marginais ou opacidades próximas à área da episclera acometida. No entanto, uma característica fundamental da episclerite é que essas alterações corneais costumam resolver-se sem causar destruição tecidual permanente, cicatrizes significativas ou risco de perfuração ocular, reforçando o caráter benigno da condição em comparação com as ceratites ulcerativas periféricas associadas à esclerite.

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