Epilepsia Rolândica: Diagnóstico e Características Clínicas

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 9 anos, encaminhado ao neuropediatra, refere que há 2 meses apresenta contrações de hemiface direita com alteração da sensibilidade. Em episódio com maior intensidade apresentou movimentos involuntários de membro superior direito, sialorreia e “engasgos”. Mãe refere que os eventos sempre acontecem com o paciente dormindo. Nega uso de medição ou antecedentes mórbidos. A principal hipótese diagnóstica é de:

Alternativas

  1. A) Síndrome de West
  2. B) Epilepsia rolândica.
  3. C) Terror noturno.
  4. D) Hidrocefalia hipertensiva.
  5. E) Encefalite de Bickerstaff.

Pérola Clínica

Criança 3-13 anos, crises focais noturnas (orofaciais, hemifaciais, sialorreia, disartria) → Epilepsia Rolândica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um paciente de 9 anos com crises focais que ocorrem predominantemente durante o sono, envolvendo a região orofacial (contrações hemifaciais, sialorreia, engasgos) e podendo se estender para o membro superior ipsilateral, é altamente sugestivo de Epilepsia Rolândica (ou Epilepsia Benigna da Infância com Pontas Centrotemporais).

Contexto Educacional

A Epilepsia Rolândica, também conhecida como Epilepsia Benigna da Infância com Pontas Centrotemporais (EBIPC), é a síndrome epiléptica mais comum na infância, representando cerca de 15-25% de todas as epilepsias pediátricas. Caracteriza-se por crises focais que tipicamente ocorrem durante o sono ou ao despertar, afetando principalmente a região orofacial e, por vezes, estendendo-se para o membro superior ipsilateral. O quadro clínico descrito na questão – paciente de 9 anos, contrações de hemiface direita com alteração da sensibilidade, movimentos involuntários de membro superior direito, sialorreia e "engasgos", sempre acontecendo durante o sono – é altamente sugestivo de Epilepsia Rolândica. As crises são geralmente breves, unilaterais e podem ser acompanhadas de vocalizações guturais ou dificuldade para falar. A benignidade da síndrome reside no fato de que a maioria das crianças tem desenvolvimento neurológico normal e as crises tendem a desaparecer espontaneamente na adolescência. O diagnóstico é clínico e confirmado pelo eletroencefalograma (EEG), que revela pontas de alta amplitude e ondas lentas bifásicas nas regiões centrotemporais, frequentemente ativadas pelo sono. O tratamento nem sempre é necessário, especialmente se as crises são raras e leves, mas pode ser indicado com anticonvulsivantes como carbamazepina ou oxcarbazepina para melhorar a qualidade de vida. Para residentes, é fundamental reconhecer essa síndrome comum para evitar investigações desnecessárias e tranquilizar as famílias sobre o bom prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características das crises na Epilepsia Rolândica?

As crises na Epilepsia Rolândica são focais, geralmente ocorrem durante o sono ou ao despertar, e envolvem a região orofacial (parestesias, contrações hemifaciais, sialorreia, disartria) e, por vezes, o membro superior ipsilateral.

Qual a faixa etária mais comum para o diagnóstico de Epilepsia Rolândica?

A Epilepsia Rolândica é mais comum em crianças em idade escolar, tipicamente entre 3 e 13 anos, com pico de incidência entre 6 e 9 anos.

Como o EEG contribui para o diagnóstico da Epilepsia Rolândica?

O eletroencefalograma (EEG) na Epilepsia Rolândica é característico, mostrando pontas de alta amplitude e ondas lentas bifásicas nas regiões centrotemporais, que são ativadas ou exacerbadas durante o sono.

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