HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Estudante universitária de 19 anos retorna ao ambulatório de neurologia. Há um mês, teve episódio de convulsão tônico-clônica generalizada ocorrido durante uma festa da faculdade, após ingerir pequena quantidade de álcool, com duração de cerca de dois minutos. No último ano tem notado movimentos involuntários dos membros, como choques, que duram segundos e melhoram espontaneamente, geralmente pela manhã. Realizou ressonância de crânio sem anormalidades e eletroencefalograma com paroxismos epileptiformes generalizados desencadeados por fotoestimulação intermitente. No primeiro atendimento, foi prescrita uma medicação – mas a paciente leu a bula e decidiu não usá-la, pois poderia causar ganho de peso e queda de cabelos. Considerando os aspectos mencionados, a melhor opção de tratamento para essa paciente seria:
EMJ: mioclonias matinais + CTCG + fotoestimulação EEG → Levetiracetam é alternativa ao valproato sem efeitos cosméticos.
A Epilepsia Mioclônica Juvenil (EMJ) é uma síndrome epiléptica idiopática comum na adolescência, caracterizada por mioclonias matinais, convulsões tônico-clônicas generalizadas e sensibilidade à fotoestimulação no EEG. O levetiracetam é uma opção eficaz e bem tolerada, especialmente quando o ácido valproico é contraindicado ou recusado devido a efeitos colaterais como ganho de peso e alopecia.
A Epilepsia Mioclônica Juvenil (EMJ) é uma síndrome epiléptica idiopática generalizada, com início na adolescência, caracterizada por uma tríade de crises: mioclonias (principalmente matinais), convulsões tônico-clônicas generalizadas e, ocasionalmente, crises de ausência. A sensibilidade à fotoestimulação no eletroencefalograma (EEG) é um achado comum e importante para o diagnóstico. É crucial reconhecer os fatores precipitantes, como privação de sono e consumo de álcool, que podem desencadear as crises. O diagnóstico da EMJ é clínico, baseado na história e no EEG, que tipicamente mostra descargas poliponta-onda generalizadas. A ressonância magnética de crânio geralmente é normal. O tratamento de primeira linha é o ácido valproico, que é altamente eficaz. No entanto, devido a efeitos colaterais como ganho de peso, alopecia e teratogenicidade, especialmente em mulheres jovens, alternativas como o levetiracetam são frequentemente consideradas. O levetiracetam oferece um bom controle das crises com um perfil de segurança mais favorável em relação a esses efeitos. A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando a eficácia, os efeitos colaterais e as preferências do paciente. É fundamental evitar medicamentos que podem piorar a EMJ, como a carbamazepina. O prognóstico da EMJ é geralmente bom com o tratamento adequado, mas muitos pacientes necessitam de medicação por tempo prolongado ou por toda a vida.
A EMJ se manifesta tipicamente com mioclonias (choques musculares breves) que ocorrem principalmente pela manhã, convulsões tônico-clônicas generalizadas e, em alguns casos, crises de ausência. Fatores como privação de sono e consumo de álcool podem precipitar as crises.
O levetiracetam é eficaz para epilepsias generalizadas, incluindo a EMJ, e possui um perfil de efeitos colaterais favorável, sem causar ganho de peso, alopecia ou teratogenicidade significativa, o que o torna uma excelente escolha, especialmente para mulheres em idade fértil que se preocupam com a estética e planejamento familiar.
Medicamentos como carbamazepina, oxcarbazepina, fenitoína e gabapentina devem ser evitados na EMJ, pois são mais eficazes em epilepsias focais e podem, paradoxalmente, piorar as crises mioclônicas e tônico-clônicas generalizadas.
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