Epilepsia Temporal e Esclerose Hipocampal: Diagnóstico e Crises

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2022

Enunciado

Assinale a alternativa que apresenta a forma comum de epilepsia focal de difícil controle medicamentoso em adultos, cujo quadro clínico se caracteriza por crises focais com consciência preservada simples. Mais frequentemente, sensação visceral, epigástrica ou torácica ascendente, que pode associar-se a outros sintomas autonômicos, sensações psíquicas de desrealização ou despersonalização, medo ou fenômenos dismnésicos, seguidos de perda de contato com o meio, com reação de parada, olhar vago e fixo, e automatismos oromastigatórios e manuais, com ocorrência rara de crises secundariamente generalizadas. As crises se iniciam na infância tardia e na adolescência, porém, ocasionalmente, alguns pacientes manifestam o quadro na idade adulta:

Alternativas

  1. A) Epilepsia benigna da infância com descargas centrotemporais.
  2. B) Epilepsia temporal associada à esclerose de hipocampo.
  3. C) Epilepsia focal associada a distúrbios do desenvolvimento cortical. 
  4. D) Epilepsia associada a tumores.

Pérola Clínica

Epilepsia temporal com esclerose hipocampal → crises focais com aura visceral/psíquica, automatismos, difícil controle.

Resumo-Chave

A epilepsia temporal associada à esclerose de hipocampo é a forma mais comum de epilepsia focal refratária em adultos. Caracteriza-se por auras complexas (viscerais, psíquicas) seguidas de perda de contato e automatismos, com início típico na infância/adolescência.

Contexto Educacional

A epilepsia do lobo temporal (ELT) é a forma mais comum de epilepsia focal em adultos, e a esclerose de hipocampo é a causa mais frequente de ELT refratária ao tratamento medicamentoso. O quadro clínico é altamente característico e crucial para o diagnóstico. As crises geralmente começam com uma aura, que pode ser uma sensação visceral ascendente (epigástrica ou torácica), sintomas autonômicos, ou sensações psíquicas complexas como desrealização, despersonalização, medo intenso ou fenômenos dismnésicos (déjà vu, jamais vu). Após a aura, o paciente tipicamente perde o contato com o meio, apresentando um olhar vago e fixo, seguido de automatismos. Os automatismos oromastigatórios (mastigação, deglutição, estalar os lábios) e manuais (manipulação de objetos, esfregar as mãos) são os mais comuns. A generalização secundária das crises é rara. Embora o início possa ocorrer na infância tardia ou adolescência, a manifestação na idade adulta não é incomum. O diagnóstico é clínico, mas é confirmado por exames como EEG (que pode mostrar descargas epileptiformes temporais) e, principalmente, ressonância magnética de crânio, que evidencia a esclerose hipocampal. O reconhecimento precoce e preciso dessa condição é vital, pois a refratariedade aos fármacos antiepilépticos frequentemente leva à consideração de tratamento cirúrgico, que pode ser curativo em casos selecionados.

Perguntas Frequentes

Quais são as características típicas das auras na epilepsia temporal?

As auras na epilepsia temporal são frequentemente viscerais (sensação epigástrica ascendente), psíquicas (desrealização, despersonalização, medo) ou dismnésicas (déjà vu, jamais vu), precedendo a alteração da consciência.

O que são automatismos oromastigatórios e manuais em crises epilépticas?

Automatismos são movimentos involuntários e repetitivos que ocorrem durante uma crise, como mastigação, deglutição, estalar os lábios (oromastigatórios) ou manipulação de objetos, esfregar as mãos (manuais).

Por que a esclerose de hipocampo é frequentemente associada à epilepsia refratária?

A esclerose de hipocampo é uma lesão estrutural que causa hiperexcitabilidade neuronal no lobo temporal, tornando as crises mais frequentes e difíceis de controlar com medicamentos, sendo muitas vezes candidata à cirurgia.

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