UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
A epilepsia
Epilepsia do lobo temporal = mais comum em adultos, associada a esclerose hipocampal, tratável clinicamente e cirurgicamente.
A epilepsia do lobo temporal (ELT) é a forma mais comum de epilepsia focal em adultos, frequentemente associada à esclerose hipocampal, uma lesão estrutural que pode ser resultado de eventos como convulsões febris prolongadas na infância. É uma condição que pode ser refratária ao tratamento medicamentoso, mas com boas opções cirúrgicas.
A epilepsia do lobo temporal (ELT) é a forma mais comum de epilepsia focal em adultos, representando uma parcela significativa dos casos de epilepsia refratária ao tratamento medicamentoso. Sua importância reside não apenas na alta prevalência, mas também na complexidade de suas manifestações clínicas e nas opções terapêuticas, incluindo a cirurgia. A ELT é frequentemente associada à esclerose hipocampal (EH), uma atrofia e perda neuronal no hipocampo, que é a causa mais comum de epilepsia focal sintomática em adultos. A EH pode ser uma sequela de insultos cerebrais precoces, como convulsões febris prolongadas ou complexas na infância, trauma craniano ou infecções. As crises na ELT são caracterizadas por auras, automatismos e alteração da consciência, e podem ter um impacto significativo na qualidade de vida do paciente. O tratamento da ELT inicia-se com fármacos antiepilépticos. No entanto, uma parcela considerável dos pacientes pode ser refratária à terapia medicamentosa. Nesses casos, a cirurgia de epilepsia, como a lobectomia temporal anterior com amigdalo-hipocampectomia, pode oferecer excelentes resultados no controle das crises, especialmente quando há esclerose hipocampal unilateral bem definida. A avaliação pré-cirúrgica é complexa e envolve neuroimagem (RM de alta resolução), vídeo-EEG e testes neuropsicológicos.
As crises de epilepsia do lobo temporal frequentemente iniciam com uma aura (sensação epigástrica ascendente, déjà vu, medo), seguida por automatismos (mastigação, deglutição, manipulação de roupas), alteração da consciência e, por vezes, generalização secundária.
Convulsões febris prolongadas ou complexas na infância, especialmente as que afetam o lobo temporal, são um fator de risco importante para o desenvolvimento posterior de esclerose hipocampal e epilepsia do lobo temporal refratária.
O tratamento cirúrgico é indicado para pacientes com epilepsia do lobo temporal refratária ao tratamento medicamentoso, ou seja, que não respondem a pelo menos dois fármacos antiepilépticos adequadamente escolhidos e utilizados, e que possuem um foco epileptogênico bem localizado.
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