HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2024
Um paciente adulto apresenta episódios de crises focais com consciência preservada, frequentemente com sensações viscerais epigástricas ascendentes, seguidas de perda de contato com o meio e automatismos oromastigatórios e manuais. Sua história médica revela que essas crises tiveram início na infância tardia. A forma mais provável de epilepsia descrita é:
Crises focais com aura epigástrica ascendente + automatismos oromastigatórios/manuais + perda de contato → Epilepsia do Lobo Temporal (frequentemente associada à esclerose de hipocampo).
A descrição das crises, com aura epigástrica ascendente (sensação visceral), seguida de alteração da consciência e automatismos (oromastigatórios e manuais), é altamente sugestiva de uma crise focal com comprometimento da consciência, com origem no lobo temporal. O início na infância tardia e a cronicidade são compatíveis com esclerose mesial temporal, a causa mais comum de epilepsia do lobo temporal refratária.
A epilepsia do lobo temporal (ELT) é a forma mais comum de epilepsia focal em adultos e uma das principais causas de epilepsia refratária ao tratamento medicamentoso. Seu reconhecimento é crucial devido às implicações terapêuticas, incluindo a possibilidade de cirurgia para casos selecionados. As crises da ELT são caracterizadas por uma semiologia típica, que frequentemente se inicia com uma aura (sensação subjetiva pré-crise), como a sensação epigástrica ascendente descrita. Em seguida, há comprometimento da consciência, com o paciente parecendo 'desligado' ou 'ausente', e a ocorrência de automatismos, que são movimentos repetitivos e sem propósito, como os oromastigatórios e manuais. A esclerose mesial temporal (esclerose de hipocampo) é a etiologia mais comum da ELT, especialmente quando o início é na infância tardia e a epilepsia se torna crônica. O diagnóstico da ELT baseia-se na história clínica, semiologia das crises, eletroencefalograma (EEG) e neuroimagem (ressonância magnética de crânio com protocolo para epilepsia). O tratamento inicial é medicamentoso, mas em casos de refratariedade, a cirurgia de epilepsia (lobectomia temporal anterior com amigdalohipocampectomia) pode ser uma opção curativa para pacientes com esclerose mesial temporal comprovada.
A aura na epilepsia do lobo temporal frequentemente inclui sensações viscerais (epigástricas ascendentes), olfatórias, gustatórias, psíquicas (déjà vu, jamais vu, medo) ou autonômicas, que precedem a alteração da consciência.
Automatismos são movimentos involuntários, repetitivos e sem propósito que ocorrem durante uma crise. No lobo temporal, são comuns os automatismos oromastigatórios (mastigação, deglutição), manuais (manipulação de roupas, esfregar as mãos) e verbais (murmúrios).
A esclerose de hipocampo (ou esclerose mesial temporal) é a causa mais comum de epilepsia do lobo temporal refratária em adultos, sendo uma alteração patológica caracterizada por perda neuronal e gliose no hipocampo, visível na ressonância magnética.
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