Epilepsia Infantil: Quando Iniciar o Tratamento Medicamentoso?

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de oito anos de idade, previamente saudável, foi levado ao hospital em razão de crise tônico-clônica generalizada que dura cerca de três minutos. Recuperou-se bem, porém, no mesmo dia, apresentou novo episódio semelhante. O exame neurológico entre as crises evidenciouse normal. Não houve febre. A tomografia computadorizada realizada no pronto atendimento mostrou-se normal. O pediatra busca definir conduta inicial. Nesse caso, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Alta hospitalar sem medicações e seguimento ambulatorial tardio.
  2. B) Início imediato de benzodiazepínico de uso contínuo.
  3. C) Solicitação de punção lombar para todos os casos de crises repetidas.
  4. D) Início de anticonvulsivante de manutenção após segunda crise não provocada.

Pérola Clínica

≥ 2 crises não provocadas (mesmo < 24h) ou 1 crise com alto risco de recorrência → Iniciar DAE.

Resumo-Chave

O início de drogas antiepilépticas (DAE) é indicado após a segunda crise não provocada, pois o risco de recorrência a longo prazo supera os riscos dos efeitos colaterais.

Contexto Educacional

A abordagem da primeira crise convulsiva na infância foca em diferenciar crises provocadas (febre, distúrbios metabólicos, trauma) de crises não provocadas. Quando uma criança apresenta duas crises não provocadas, o diagnóstico de epilepsia é estabelecido e o tratamento profilático com drogas antiepilépticas (DAE) deve ser discutido com a família. No caso clínico, a criança teve duas crises no mesmo dia. Embora a definição clássica exija intervalo de 24 horas, na prática pediátrica e conforme diretrizes de prova, a ocorrência de crises repetidas não provocadas justifica o início da manutenção para evitar o status epilepticus e garantir a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar anticonvulsivante após a primeira crise?

Geralmente não se inicia após a primeira crise, a menos que haja alto risco de recorrência (>60%), como em casos de lesão estrutural cerebral na imagem ou EEG com atividade epileptiforme clara.

Qual a definição atual de epilepsia pela ILAE?

Epilepsia é definida por: 1) Pelo menos duas crises não provocadas ocorrendo com intervalo > 24h; 2) Uma crise não provocada e uma probabilidade de crises futuras semelhante ao risco de recorrência geral após duas crises (pelo menos 60%); 3) Diagnóstico de uma síndrome epiléptica.

É necessário realizar TC em toda criança com primeira crise?

A neuroimagem (preferencialmente RM) é indicada em crises focais, déficit neurológico focal persistente, sinais de hipertensão intracraniana ou em crianças menores de 6 meses. Em crises generalizadas típicas com exame normal, a urgência é menor.

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