Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Homem de 80 anos apresenta crise epiléptica tônico clônica generalizada. Estima-se que a convulsão tenha durado cerca de três minutos. Após o episódio, ele ficou confuso e desorientado, mas melhorou lentamente nas últimas horas. O histórico é notável para doença cardíaca isquêmica e acidente vascular cerebral isquêmico há três anos (com pouca sequela), em uso atual de clopidogrel, atorvastatina e enalapril. Ao exame físico: não há déficits neurológicos focais. Exames de sangue, eletrocardiograma e tomografia do cérebro não mostram nenhuma anormalidade aguda. Uma vez decidido iniciar uma medicação devido ao risco de eventos recorrentes, a droga inicial de escolha é:
Epilepsia em idosos com comorbidades → Lamotrigina (menor interação medicamentosa e efeitos adversos).
Em idosos, a escolha do anticonvulsivante deve considerar comorbidades e polifarmácia, buscando drogas com menor perfil de interações medicamentosas e efeitos adversos. A lamotrigina é uma excelente opção para crises tônico-clônicas generalizadas em idosos, pois possui poucas interações e é bem tolerada, minimizando riscos em pacientes com doença cardíaca e AVC prévio.
A epilepsia em idosos é uma condição neurológica comum, com incidência crescente devido ao envelhecimento populacional e ao aumento de fatores de risco como acidente vascular cerebral (AVC), demência e tumores cerebrais. As crises epilépticas em idosos frequentemente se manifestam como tônico-clônicas generalizadas, mas também podem ser focais, e o diagnóstico pode ser desafiador devido à apresentação atípica e à presença de comorbidades. A fisiopatologia da epilepsia em idosos está frequentemente ligada a lesões cerebrais estruturais (AVC prévio, atrofia, tumores) ou a doenças neurodegenerativas. A escolha do tratamento anticonvulsivante é complexa e deve considerar a eficácia contra o tipo de crise, o perfil de efeitos adversos, as interações medicamentosas com outros fármacos em uso (polifarmácia) e as comorbidades do paciente. Nesse contexto, a lamotrigina é frequentemente a droga de escolha para idosos com crises tônico-clônicas generalizadas ou focais. Ela possui um perfil de segurança favorável, com menor potencial de interações medicamentosas em comparação com indutores enzimáticos como a carbamazepina, e menor risco de sedação ou efeitos cognitivos. O valproato de sódio, embora eficaz, pode ter mais efeitos adversos (hepatotoxicidade, trombocitopenia) e interações, enquanto a gabapentina é mais utilizada para dor neuropática e crises focais, com necessidade de ajuste renal. A lamotrigina, portanto, oferece um bom equilíbrio entre eficácia e tolerabilidade para essa população vulnerável.
Idosos frequentemente apresentam comorbidades múltiplas, polifarmácia e alterações fisiológicas (metabolismo, função renal/hepática) que aumentam o risco de interações medicamentosas e efeitos adversos dos anticonvulsivantes, exigindo escolhas mais cautelosas.
A lamotrigina tem um perfil farmacocinético favorável, com poucas interações medicamentosas significativas, e é geralmente bem tolerada, com menor risco de sedação, disfunção cognitiva ou efeitos cardiovasculares, sendo uma boa escolha para idosos.
Carbamazepina (indutor enzimático, risco de hiponatremia), valproato de sódio (risco de hepatotoxicidade, trombocitopenia, interações) e gabapentina (ajuste renal, sedação) podem exigir maior cautela devido a seus perfis de efeitos adversos e interações, especialmente em pacientes polimedicados.
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