SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Primigesta de 16 anos, com atraso menstrual de 5 dias, comparece à primeira consulta de pré-natal relatando diagnóstico de Epilepsia e uso de ácido valproico e fenitoína. Paciente refere que gestação não foi planejada e que não vai na consulta com neurologista há anos para ajuste de medicação, mesmo tendo apresentado crise convulsiva há 6 meses. Qual a prescrição ideal para essa paciente?
Gestante epiléptica em uso de valproato/fenitoína → Trocar para lamotrigina e suplementar ácido fólico 5mg.
O ácido valproico é um dos medicamentos antiepilépticos com maior risco teratogênico, incluindo defeitos do tubo neural e atraso no desenvolvimento. A fenitoína também possui risco. Em gestantes, a lamotrigina é considerada uma das opções mais seguras. A suplementação de ácido fólico em alta dose (5mg/dia) é essencial para pacientes de alto risco, como as que usam antiepilépticos, para reduzir o risco de defeitos do tubo neural.
O manejo da epilepsia na gravidez é um desafio complexo que exige um equilíbrio entre o controle das crises e a minimização dos riscos teratogênicos para o feto. O ácido valproico e a fenitoína são conhecidos por seus riscos teratogênicos significativos, incluindo defeitos do tubo neural, malformações cardíacas e faciais, e atrasos no desenvolvimento. Idealmente, a paciente deve ter um planejamento gestacional para otimizar a medicação antes da concepção. Quando a gravidez não é planejada, como no caso da questão, é crucial revisar a medicação antiepiléptica. A lamotrigina é uma das opções mais seguras durante a gravidez, com menor risco teratogênico. A transição de medicamentos deve ser feita com cautela e sob supervisão neurológica, considerando o risco de crises. Além disso, a suplementação de ácido fólico é de suma importância. Para pacientes em uso de antiepilépticos, a dose recomendada é de 5 mg/dia, significativamente maior que a dose padrão de 0,4 mg/dia para gestantes de baixo risco, devido ao aumento do risco de defeitos do tubo neural. Para residentes, é fundamental estar ciente dos riscos e benefícios dos diferentes antiepilépticos na gravidez, bem como da importância da suplementação adequada de ácido fólico. O objetivo é garantir o melhor resultado possível para a mãe e o bebê, minimizando a exposição a medicamentos teratogênicos e controlando as crises para evitar riscos maternos e fetais.
O ácido valproico é associado a um alto risco de teratogenia, incluindo defeitos do tubo neural (como espinha bífida), malformações cardíacas e faciais, e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor. A fenitoína também apresenta riscos teratogênicos, como a síndrome hidantoínica fetal, que pode incluir anomalias craniofaciais, hipoplasia digital e atraso de crescimento.
A lamotrigina é geralmente considerada um dos medicamentos antiepilépticos mais seguros para uso durante a gravidez, com um risco teratogênico relativamente baixo em comparação com outras opções. Outras opções com menor risco incluem levetiracetam e oxcarbazepina, mas a escolha deve ser individualizada.
Para gestantes com epilepsia, especialmente aquelas em uso de antiepilépticos, a dose recomendada de ácido fólico é de 5 mg/dia, iniciando antes da concepção e mantendo durante o primeiro trimestre. Essa dose mais alta é necessária para reduzir o risco de defeitos do tubo neural, que é aumentado pelo uso de certos antiepilépticos.
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