Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020
Paciente primigesta, gestação de 8 semanas, com queixa de crises de ausência mais frequentes. Faz uso regular de carbamazepina 200 mg/dia, há dois anos para tratamento de epilepsia. Considerando o caso descrito, é CORRETO afirmar que:
Gestante epiléptica em uso de anticonvulsivante (carbamazepina) → suplementação de ácido fólico é essencial para prevenir defeitos do tubo neural.
Anticonvulsivantes, como a carbamazepina, podem interferir no metabolismo do folato e aumentar o risco de defeitos do tubo neural no feto. Por isso, a suplementação de ácido fólico em doses elevadas (geralmente 4-5 mg/dia) é fortemente recomendada para mulheres epilépticas em uso de anticonvulsivantes, desde o período pré-gestacional e durante toda a gravidez.
O manejo da epilepsia na gravidez é um desafio complexo que exige um equilíbrio entre o controle das crises e a minimização dos riscos teratogênicos para o feto. A paciente em questão, primigesta de 8 semanas e em uso de carbamazepina, ilustra a necessidade de uma abordagem cuidadosa. A carbamazepina é um anticonvulsivante de categoria D na gravidez, o que indica evidência de risco fetal, mas os benefícios podem justificar o uso em algumas situações. A afirmativa A é incorreta, pois o fenobarbital, embora antigo, possui um perfil teratogênico considerável, também sendo categoria D e associado a um risco elevado de malformações congênitas. A afirmativa B também é incorreta; a monoterapia com a menor dose eficaz é sempre preferível na gravidez para reduzir a exposição fetal a múltiplos fármacos e, consequentemente, o risco de teratogenicidade. A afirmativa C é perigosa e incorreta; a suspensão abrupta de um anticonvulsivante pode precipitar crises epilépticas graves, incluindo status epilepticus, que representam um risco maior para a mãe e o feto do que a continuidade do tratamento com monitoramento. A afirmativa D é a correta e um ponto crucial no manejo da epilepsia na gravidez. Muitos anticonvulsivantes, incluindo a carbamazepina, são indutores enzimáticos que podem interferir no metabolismo do folato, levando à deficiência de ácido fólico. Essa deficiência está fortemente associada a um risco aumentado de defeitos do tubo neural (DTN) no feto. Por isso, é fundamental que mulheres epilépticas em idade fértil, especialmente aquelas que planejam engravidar ou que já estão grávidas, recebam suplementação de ácido fólico em doses mais elevadas (geralmente 4-5 mg/dia) desde o período pré-gestacional e durante toda a gestação, para minimizar o risco de DTN.
O principal risco do uso de carbamazepina na gravidez é o aumento do risco de defeitos do tubo neural, como espinha bífida, devido à sua interferência no metabolismo do folato, sendo classificada como categoria D.
A suplementação de ácido fólico é crucial porque muitos anticonvulsivantes, incluindo a carbamazepina, são indutores enzimáticos que podem levar à deficiência de folato, aumentando significativamente o risco de malformações congênitas, especialmente defeitos do tubo neural.
Não, a suspensão abrupta de anticonvulsivantes durante a gravidez não é segura. O risco de crises epilépticas descontroladas, incluindo status epilepticus, pode causar hipóxia fetal, trauma materno e aborto, sendo geralmente maior do que o risco teratogênico do medicamento, que deve ser avaliado individualmente.
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